Mudança na estação do ano é sinônimo de mudança no manejo

Saiba quais as melhores estratégias de manejo de pastagem a serem utilizadas na entrada do período das águas

Pecuária

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A sazonalidade da produção forrageira ao longo do ano já é bem conhecida pelos pecuaristas. Entretanto, muitos não se atentam à necessidade de planejamento para o início das primeiras chuvas. 

Comumente há uma maior preocupação com relação a suplementação dos bovinos durante o período seco do ano, onde a oferta de alimento diminui.

Porém, é imprescindível que haja um planejamento também na transição para o período das águas, para que o pasto possa rebrotar com vigor e a disponibilidade de alimento de qualidade seja constante nesse período.

A transição é um período crítico, principalmente quando o manejo da pastagem acumula erros desde a estação chuvosa anterior e da estação seca.

 


SUPERPASTEJO E SUBPASTEJO

Durante essa fase de transição, as pastagens se encontram com pequena ou nenhuma quantidade de folhas verdes, além de uma alta quantidade de colmos e de folhagem seca e antiga. 

Neste sentido, um dos primeiros pontos a serem acompanhados é o controle da taxa de lotação à capacidade de suporte da pastagem. Quando a pastagem é superpastejada na seca ou no período de transição para as águas, a planta gasta suas reservas prejudicando a rebrota no início das chuvas. Ainda, o solo fica adensado, o que pode deixar espaços dominados por plantas daninhas, que competem com o capim.

Uma alternativa ao superpastejo é a retirada dos animais, transferindo para outra área ou realizando a venda. Isso evitará que no início das chuvas a pastagem esteja prejudicada e não se desenvolva com máxima qualidade.

Já na situação inversa, ou seja, quando há subpastejo até mesmo desde a estação chuvosa anterior, a alta massa de forragem seca que sobra se desprende com as primeiras chuvas e os caules que ficam comprometem a estrutura do pasto, com touceiras e muitos talos. Além disso, a palhada gera um ambiente favorável para a proliferação de pragas e fungos.

No subpastejo, uma opção é roçar o pasto (no Brasil Central os meses da primavera são os mais indicados) e ajustar a sua estrutura, ou então aumentar a taxa de lotação animal, apenas antes das primeiras chuvas, rebaixando a altura da forrageira. Importante se atentar para que o pastejo não ultrapasse o resíduo da planta e ela possa se reestabelecer na rebrota.

Para evitar as duas situações (superpastejo e subpastejo), é imprescindível que o produtor saiba as alturas do capim (dossel) na entrada e saída dos animais no pré e pós pastejo, de acordo com a gramínea utilizada.

Veja na tabela 1 as alturas máximas e mínimas para as braquiárias sob pastejo contínuo e, na tabela 2, as alturas de entrada e de saída dos bovinos nas áreas com capins coloniões (panicuns) sob pastejo rotacionado (piquetes).

 

Tabela 1.

Alturas máximas e mínimas para as braquiárias sob pastejo contínuo.


Fonte: Embrapa

 

Tabela 2.

Alturas de entrada e de saída para coloniões (panicuns) sob pastejo rotacionado.


Fonte: Embrapa

 

PRIMEIRAS CHUVAS

Logo após as primeiras chuvas, o interessante é tirar os animais e levar para outras áreas, permitindo que o capim lance os primeiros brotos, deixando-os crescerem. Para isso, é exigido planejamento. 

Uma alternativa é a implementação de um semiconfinamento estratégico com um volumoso barato, possibilitando o crescimento dos pastos.

Durante as primeiras chuvas, deve-se fazer a adubação de manutenção das pastagens, como a nitrogenada, com o intuito de aumentar a produção de matéria seca (MS) e a disponibilidade de forragem.

Lembrando que se o pecuarista for adubar pastagens, espera-se que os corretivos (calcário e gesso) já tenham sido aplicados desde o final da estação chuvosa anterior ou até meados do ano, para que já tenham reagido no solo. 

Por fim, é fundamental que seja feito o controle das plantas daninhas na área, através da aplicação de herbicida ou controle mecânico (roçada). O controle, tanto mecânico como químico, deve ser feito antes que as plantas daninhas comecem a competir com a pastagem. No caso dos herbicidas, a aplicação deve ser, em média, de 25 a 30 dias após a germinação da planta para que ela absorva o produto. 

Sobre as pragas, como cigarrinhas e lagartas, o monitoramento do surgimento previne que elas alcancem níveis que causem prejuízos ao pasto.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fica claro que para que a execução seja feita da melhor forma possível, é necessário um planejamento de curto, médio e longo prazo, com base em um inventário prévio, assim como um diagnóstico e a um plano de metas de acordo com as características de cada propriedade.

Equacionando a oferta e a demanda de alimentos dos animais com antecedência e a capacidade do sistema em suprir essa demanda permite que o produtor tome decisões mais assertivas e tenha maiores chances de sucesso ao final da estação chuvosa.

 

 

Referências

Scot Consultoria.

Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Tags: pastagem, chuvas, período chuvoso, forragem, pecuária, pasto, Scot Consultoria.

Pauta: Artigo técnico, de setembro/21. Entrada do período chuvoso e pontos de atenção com relação às pastagens.

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