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    O ciclo pecuário e os preços do Boi Gordo

    Atividades feitas em pastagem e que possuem cria têm resultados atrelados aos valores de venda
    Hyberville Paulo D’Athayde Neto, Zootecnista, msc. - Scot Consultoria
    O ciclo pecuário e os preços do Boi Gordo
    O ciclo pecuário e os preços do Boi Gordo

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    A pecuária e a maior parte das atividades econômicas possuem fases mais promissoras e fases mais difíceis. No caso da pecuária de corte, principalmente a pecuária extensiva em pastagens, o resultado está muito relacionado aos preços de venda. Aqui destacamos as atividades feitas em pastagem e que possuem cria.

    E por que a recria e engorda em pastagem ou confinamento são diferentes? O resultado de uma recria e engorda depende também da relação de troca, ou seja, da relação entre a receita (boi gordo) e o principal componente de custo, a reposição.

    Quando falamos de confinamento, além do custo com reposição, a alimentação ganha peso no resultado. Por isso, embora altas do mercado sejam sempre bem-vindas pelos pecuaristas, para sistemas que possuem cria, a correlação com o resultado é maior.

    As oscilações de preços e, consequentemente, de resultados na cria geram fases de investimento e desinvestimento na atividade, o que resulta no chamado ciclo de preços pecuários, que vamos detalhar a seguir.

    Definição e fases do ciclo pecuário
    Podemos dizer que o ciclo pecuário é composto pelas oscilações de preços do gado causadas por variações de oferta, tanto para abate, como categorias de reposição.

    Obviamente há momentos nos quais a demanda, o outro pilar da precificação, descaracteriza o efeito das oscilações de oferta, mas em geral, podemos identificar de maneira clara as fases de baixa e alta do ciclo.

    Explicaremos a dinâmica do ciclo pecuário começando por um momento de alta, como o atual. Nele, a atratividade da cria está maior, o que influencia investimentos na atividade. Entre os investimentos em um sistema de cria, temos a retenção de fêmeas, aumentando a quantidade de vacas e novilhas em reprodução. Como a venda de bezerros está interessante, busca-se aumentar a produção.

    Essa menor oferta de vacas e novilhas para abate diminui a produção de carne, o que retroalimenta o cenário já positivo de preços de venda.

    Em alguns anos de investimentos em aumento da produção, a oferta de bezerros começa a aumentar, seguida pelas categorias mais eradas, o que impacta os preços e o resultado da pecuária.

    Tanto a menor atratividade, quanto a necessidade de caixa (já que o resultado apertou) levam o pecuarista a aumentar a venda de fêmeas. Mais uma vez, há um reforço do movimento, mas neste caso, de baixa. Em alguns anos, o cenário de oferta volta a enxugar e começa mais uma fase de alta.

    Ou seja, a participação de fêmeas nos abates é um indicador importante do cenário e expectativas para os preços. Nas fases de pouca oferta, elas participam menos do total abatido, o que caracteriza a fase de alta.

    Já nas fases de baixa, mais fêmeas vão para o gancho e, em alguns anos, a oferta menor resulta em valorizações. Assim, ocorre retenção, mais oferta em alguns anos e assim por diante.

    Na figura 1 estão preços do boi gordo, em valores reais, deflacionados pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, da Fundação Getúlio Vargas) e as participações de fêmeas nos abates em cada ano.
    Figura 1.
    Preços reais do boi gordo (eixo da esquerda) e participação de fêmeas nos abates (eixo da direita).
    O ciclo pecuário e os preços do Boi Gordo 1
    Fonte: IBGE / Scot Consultoria

    Cenário atual
    Como apresentado na figura 1, desde 2019 a participação de fêmeas nos abates tem diminuído e os preços aumentado. Entre 2018 e 2019 a participação de fêmeas nos abates passou de 41,6% para 40,8% e depois 36,5% em 2020.
    O nível de oferta para abate está baixo e as fêmeas têm um peso relevante nessa limitação. O boi gordo tem trabalhado em alta desde 2019 e a reposição começou a subir de maneira mais importante ainda na segunda metade de 2018.
    Em 2021 os dados oficiais ainda se referem ao primeiro trimestre, mas mostram que a tendência de retenção continua. Segundo o IBGE, no primeiro trimestre houve queda de 10,6% dos abates, frente ao mesmo período de 2020.
    A diminuição foi puxada pela redução dos abates de vacas (-21,4%) e novilhas (-26,9%), enquanto houve estabilidade no volume de bois abatidos, também na comparação dos trimestres.
    Veja na figura 2 a participação de fêmeas no fechamento dos abates anuais e nos primeiros trimestres. No início do ano, devido ao calendário reprodutivo, com o descarte de matrizes após a estação de monta, a participação de fêmeas é maior.

    Figura 2.
    Participações de fêmeas nos abates de bovinos, nos primeiros trimestres e nos totais anuais.
    O ciclo pecuário e os preços do Boi Gordo 2
    Fonte: IBGE / Scot Consultoria

    Com isso, 2021 deve ser o terceiro ano de redução da participação de fêmeas nos abates, o que gera expectativa de aumento da disponibilidade de gado nos próximos anos.

    Expectativas
    Não há regras para a duração do ciclo de preços, mas após alguns anos de retenção, a expectativa é que comece a aumentar a oferta de categorias mais jovens, possivelmente a partir de 2022.
    O ponto positivo é que, paralelamente, devemos observar uma melhoria da situação econômica, passada a pandemia, o que pode ajudar a compensar o acréscimo da oferta e colaborar com os preços.