John Deere logo

    Conecta

    Sua fonte centralizada de notícias Agro

    Pastagens de alta performance aumentam produção pecuária

    Além de elevar produtividade, Sistema Guaxupé reduz emissões de gases de efeito estufa. Modelo é desenvolvido pela Embrapa, em parceria com pecuaristas do Acre
    Rafael De Marco
    Arquivo
    Arquivo

    Tags:

    Pecuária

    Pasto

    Embrapa

    Intensificar a atividade pecuária, com menor investimento econômico e benefícios para o meio ambiente. Esse é o objetivo do Sistema Guaxupé, desenvolvido pela Embrapa, em parceria com pecuaristas do Acre. Resultados de pesquisas confirmam aumento de 30% na produtividade de carne e de bezerros, por hectare, e redução nas emissões de gases de efeito estufa na atividade. Composto por tecnologias de baixo impacto, esse modelo de produção orienta estratégias para a obtenção de pastagens com alta produtividade de forragem de qualidade e de longa duração, que elevam a rentabilidade de sistemas pecuários a pasto.

     

    O Sistema Guaxupé é indicado para solos sem aptidão para a agricultura, devido à baixa capacidade de drenagem. Para isso, utiliza tecnologias e práticas gerenciais sustentáveis para a produção pecuária intensiva a pasto. Resultado de 25 anos de pesquisa e recomendado para as condições ambientais específicas do Acre, o modelo se baseia no uso de:

    1- diferentes forrageiras para diversificar e manter as pastagens produtivas
    2- consórcio de forrageiras com leguminosas capazes de fornecer nitrogênio para o solo
    3- controle preventivo de plantas daninhas, para reduzir gastos com reforma
    4- manejo adequado do pasto, para garantir a oferta contínua de forragem para o rebanho.

     

    Segundo o pesquisador Carlos Mauricio de Andrade, coordenador dos estudos, todos os conceitos e tecnologias do sistema orientam a formação de pastagens permanentes de alta performance produtiva, que resultam em melhor capacidade de suporte e maior ganho de peso dos animais, com baixo investimento em insumos (rações e adubos). “Esse sistema de intensificação propõe uma nova forma de combinar alternativas tecnológicas já disponibilizadas pela pesquisa, para obter um modelo de produção rentável, que se mantenha produtivo por muitos anos, com viabilidade econômica e reduzido impacto ambiental”, ressalta.

     

    MÉTODO SE BASEIA NO USO DE DIFERENTES FORRAGEIRAS, CONSÓRCIO COM LEGUMINOSAS, CONTROLE PREVENTIVO DE PLANTAS DANINHAS E MANEJO ADEQUADO DO PASTO.

     

    A capacidade gerencial de cada produtor é determinante no processo de adoção das tecnologias. Quando bem implantado, ao mesmo tempo em que melhora a produtividade e rentabilidade na atividade pecuária, o sistema assegura serviços ecossistêmicos fornecidos pelas pastagens consorciadas com leguminosas, como ciclagem de nutrientes e sequestro de carbono. “A sua adoção em larga escala é uma alternativa para tornar a pecuária a pasto mais sustentável na Amazônia e pode contribuir para a abertura de novos mercados nacionais e para inserir a carne produzida no Acre em mercados internacionais que buscam uma produção mais limpa”, avalia Andrade.

     

    DIVERSIFICAÇÃO

    Estudos confirmam que pastagens cultivadas podem se manter produtivas por muitas décadas, mas para alcançar essa longevidade é necessário investir na diversificação inteligente de forrageiras. A escolha das cultivares deve ser criteriosa e priorizar espécies adaptadas às condições locais do solo e do clima da propriedade rural e levar em consideração fatores como pragas e doenças existentes na região e características do rebanho que utilizará a pastagem. O Sistema Guaxupé recomenda utilizar diferentes opções de forrageiras indicadas pela pesquisa para a região, na formação das pastagens, e ocupar cada metro quadrado do solo.

     

    Conforme Andrade, outra orientação é dar preferência para forrageiras estoloníferas, por apresentarem alta tolerância ao encharcamento ou alagamento do solo. Além disso, como essas forrageiras se reproduzem por meio de caules (estolões) que enraízam nos nós, conseguem se alastrar na pastagem e colonizar espaços descobertos no solo e competir com plantas daninhas, característica que assegura a sua persistência. O resultado são pastos biodiversos duradouros e sustentáveis, que não demandam investimentos periódicos em reforma, especialmente em solos mal drenados”, afirma o cientista.

     

    SISTEMA REDUZ GASTOS COM INSUMOS COMO RAÇÕES E ADUBOS.

    Estudos de zoneamento edafoclimáticos mostram que mais de 80% das áreas com pastagem no Acre apresentam solos pouco permeáveis e com baixa capacidade de drenagem. O encharcamento do solo causa deficiência de oxigênio nas raízes das plantas, que ficam sujeitas ao ataque de patógenos responsáveis pela Síndrome da Morte do Braquiarão (SMB), principal fator de degradação de pastagens na Amazônia. Desde o surgimento dessa doença no Acre, em meados da década de 1990, a Embrapa investe em programas de melhoramento genético de forrageiras para selecionar e recomendar novas cultivares para o bioma, adaptadas ao encharcamento.

     

    PASTAGENS AUTOSSUFICIENTES

    A consorciação de gramíneas com leguminosas forrageiras, que fornecem nitrogênio para o solo, é uma estratégia eficiente para manter a produtividade e assegurar vida longa às pastagens. Pesquisas realizadas no Acre e em outras regiões do Brasil mostram que pastos formados somente com gramíneas precisam de reposição anual de nitrogênio, via adubação química, para se manter  produtivos. O amendoim forrageiro é a leguminosa mais indicada para o consórcio de pastagens no trópico úmido brasileiro e o carro-chefe no processo de intensificação pecuária no Sistema Guaxupé.

     

    De acordo com Giselle Lessa, coordenadora do Programa Nacional de Melhoramento do Amendoim Forrageiro, a planta consegue capturar nitrogênio do ar e fixá-lo no solo, pela associação com bactérias em suas raízes, e pode ser consorciada com diferentes tipos de gramíneas. O consórcio com essa leguminosa garante à pastagem:

    1- autossuficiência em nitrogênio
    2- melhora a fertilidade do solo
    3- aumenta a produção de forragem
    4- contribui com o processo de descarbonização da pecuária brasileira
    5- proporcionar um aporte natural desse nutriente essencial para o desenvolvimento das plantas
    6- o amendoim forrageiro possui teor médio de proteína bruta de 22% e alta digestibilidade, aspectos que elevam a qualidade nutricional da dieta do rebanho.

      

    TOLERÂNCIA ZERO COM PLANTAS DANINHAS

    Pecuaristas que adotam o Sistema Guaxupé utilizam uma estratégia proativa no manejo de plantas daninhas, que garante a manutenção de pastagens sempre “limpas”. O trabalho inclui o monitoramento rotineiro das áreas, para controlar os focos iniciais de infestações e prevenir a sua proliferação. As medidas de controle envolvem aplicação localizada de herbicidas seletivos ou catação mecânica (enxada), para preservar as forrageiras. De forma complementar, os produtores realizam o replantio nas falhas das pastagens, com mudas de forrageiras estoloníferas.

     

    GADO BEM ALIMENTADO O ANO TODO

    Além da diversificação de forrageiras, uso de leguminosas e manejo efetivo de plantas daninhas, o Sistema Guaxupé tem como pilar o manejo adequado das pastagens, por meio de técnicas que levam em consideração características da fazenda, do rebanho e dos pastos formados. Para manejar bem as pastagens é necessário conhecer o seu funcionamento, em especial o impacto do pastejo na produtividade e estabilidade das forrageiras, no consumo de pasto e no desempenho produtivo do rebanho. Como a produção e a qualidade do pasto variam durante o ano, o sistema recomenda planejar os ajustes de lotação da pastagem.

     

    “O bom manejo também exige observar a altura e estrutura dos pastos para realizar as adequações necessárias em cada módulo de pastejo rotacionado, como tempo de pastejo e descanso, remanejamento de piquetes e outros cuidados que influenciam o consumo da forragem e a produtividade animal. Também é importante planejar estratégias de gerenciamento do rebanho, época da estação de monta e o descarte de animais no período mais propício para adequar a demanda de alimento do rebanho à oferta de forragem. Esses cuidados, aliados a estratégias de suplementação, ajudam a manter o rebanho bem alimentado durante os 365 dias do ano, com redução de custos e manutenção da produção”, orienta o pesquisador da Embrapa Acre, Judson Valentim.

     

    Para ler o artigo completo, clique AQUI

     

    Com informações da Embrapa Acre