Pecuária cada vez mais responsável

Entidades como BNDES e Embrapa promovem ações para garantir eficiência e sustentabilidade tanto no gado de corte como leiteiro

Pecuária

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Como o agronegócio em geral, a pecuária brasileira tem se tornado, ano após ano, mais sustentável. Medidas adotadas por entidades financeiras, como o BNDES, e de pesquisa e produção de conhecimento, como a Embrapa, reforçam essas ações tanto para o gado de corte como para o leiteiro. Confira:

BNDES
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passa a exigir, em seus novos contratos relativos à cadeia produtiva de abate de bovinos, comprovação de que os beneficiários de crédito não estejam infringindo leis ambientais.

De acordo com o banco, será necessário apresentar anualmente os resultados de uma auditoria independente, que comprove que os fornecedores não estejam incluídos na lista de áreas embargadas do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e não tenham sido condenados em ações penais por desmatamento.

As auditorias deverão ser feitas até que o contrato seja amortizado. Em caso de descumprimento, poderão ser aplicados multas contratuais e vencimento antecipado. As novas regras valem para contratos assinados a partir de 3 de janeiro de 2022.

De acordo com o BNDES, já eram exigidos dos abatedouros o cadastro de fornecedores diretos e sistema implementado com procedimentos para a compra de gado, de modo a mitigar os riscos socioambientais. Apenas fornecedores que, após avaliação, comprovarem o cumprimento de requisitos socioambientais são aceitos.

Maior controle nos investimentos na pecuária nacional (CNA/Wenderson Araujo/Trilux)

EMBRAPA
A pesquisadora Elizabeth Nogueira Fernandes, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, divulgou o alinhamento da nova gestão com foco no setor produtivo a partir de 2022. Ela pontuou os três eixos de seu plano de gestão: 1 - desenvolvimento institucional e de competências; 2 - gestão de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I), 3 - alinhamento estratégico de inovação e negócios. 

Elizabeth Fernandes fez uma análise da evolução da atividade leiteira no Brasil, apontando as quatro principais ondas pelas quais passou a cadeia ao longo dos últimos 45 anos, que coincidem com o período de existência da Embrapa Gado de Leite. 

Segundo ela, a primeira onda foi caracterizada pela expansão da produção de leite que permitiu ao Brasil saltar de 10º maior produtor de leite no mundo na década de 1970 para o terceiro lugar, atualmente. 

Em seguida, a cadeia passou pela fase de aumento de produtividade que teve um forte incremento a partir de 2010.

Após a crise econômica vivenciada no Brasil a partir de 2015, que limitou o consumo interno e afetou a produção nacional, o setor entrou numa fase de busca por maior competitividade e inserção internacional para conquista de novos mercados. 

Antes que essa onda se consolidasse, veio a pandemia que acelerou o processo de mudanças resultando no aumento das exigências dos consumidores e de toda a sociedade, trazendo uma nova onda focada na sustentabilidade.