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    Pecuária cada vez mais responsável

    Entidades como BNDES e Embrapa promovem ações para garantir eficiência e sustentabilidade tanto no gado de corte como leiteiro
    Rafael De Marco
    Pecuária cada vez mais responsável
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    Como o agronegócio em geral, a pecuária brasileira tem se tornado, ano após ano, mais sustentável. Medidas adotadas por entidades financeiras, como o BNDES, e de pesquisa e produção de conhecimento, como a Embrapa, reforçam essas ações tanto para o gado de corte como para o leiteiro. Confira:

    BNDES
    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passa a exigir, em seus novos contratos relativos à cadeia produtiva de abate de bovinos, comprovação de que os beneficiários de crédito não estejam infringindo leis ambientais.

    De acordo com o banco, será necessário apresentar anualmente os resultados de uma auditoria independente, que comprove que os fornecedores não estejam incluídos na lista de áreas embargadas do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e não tenham sido condenados em ações penais por desmatamento.

    As auditorias deverão ser feitas até que o contrato seja amortizado. Em caso de descumprimento, poderão ser aplicados multas contratuais e vencimento antecipado. As novas regras valem para contratos assinados a partir de 3 de janeiro de 2022.

    De acordo com o BNDES, já eram exigidos dos abatedouros o cadastro de fornecedores diretos e sistema implementado com procedimentos para a compra de gado, de modo a mitigar os riscos socioambientais. Apenas fornecedores que, após avaliação, comprovarem o cumprimento de requisitos socioambientais são aceitos.

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    Maior controle nos investimentos na pecuária nacional (CNA/Wenderson Araujo/Trilux)

    EMBRAPA
    A pesquisadora Elizabeth Nogueira Fernandes, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, divulgou o alinhamento da nova gestão com foco no setor produtivo a partir de 2022. Ela pontuou os três eixos de seu plano de gestão: 1 - desenvolvimento institucional e de competências; 2 - gestão de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I), 3 - alinhamento estratégico de inovação e negócios. 

    Elizabeth Fernandes fez uma análise da evolução da atividade leiteira no Brasil, apontando as quatro principais ondas pelas quais passou a cadeia ao longo dos últimos 45 anos, que coincidem com o período de existência da Embrapa Gado de Leite. 

    Segundo ela, a primeira onda foi caracterizada pela expansão da produção de leite que permitiu ao Brasil saltar de 10º maior produtor de leite no mundo na década de 1970 para o terceiro lugar, atualmente. 

    Em seguida, a cadeia passou pela fase de aumento de produtividade que teve um forte incremento a partir de 2010.

    Após a crise econômica vivenciada no Brasil a partir de 2015, que limitou o consumo interno e afetou a produção nacional, o setor entrou numa fase de busca por maior competitividade e inserção internacional para conquista de novos mercados. 

    Antes que essa onda se consolidasse, veio a pandemia que acelerou o processo de mudanças resultando no aumento das exigências dos consumidores e de toda a sociedade, trazendo uma nova onda focada na sustentabilidade. 

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    Ações e investimento na produção de leite (CNA/Wenderson Araujo/Trilux)

    AÇÕES ESTRATÉGICAS
    Após essa análise, a chefe-geral elencou os temas de PD&I que serão estratégicos em sua gestão, com destaque para ações seguras e sustentáveis:

    1 - Eficiência em seus diversos aspectos, com vista a alcançar a eficiência bioeconômica dos sistemas de produção de leite de modo a produzir mais e de forma melhor;

    2 - Sistemas integrados com foco especial na integração lavoura, pecuária e floresta, contribuindo para a compensação de emissões de gases de efeito estufa;

    3 - Melhoramento vegetal com o desenvolvimento de novas cultivares de forrageiras, com lançamentos já programados de uma brachiaria ruziziensis (BRS Integra) e de uma nova cultivar de azevém (BRS Estações);

    4 - Pecuária de precisão: contribuindo para a tomada de decisão em tempo real (nutrição de precisão, diagnóstico precoce de doenças no rebanho e detecção precoce de cio);

    5 - Melhoramento genético animal, com destaque para os avanços com a seleção genômica, disponibilização de novas características nos sumários dos programas incluindo a resistência ao estresse térmico, além do desenvolvimento da avaliação genômica multirracial;

    6 - Monitoramento de pastagens e zoneamento pecuário, com a disponibilização de inteligência territorial para pecuária leiteira e a previsão de variações e desempenho produtivo e oferta regular de leite nas principais regiões leiteiras do Brasil.

    7 - Agregação de valor aos produtos lácteos, incluindo trabalhos com queijos artesanais e novas tendências de consumo como produtos nutracêuticos, leite A2A2, produtos orgânicos etc.;

    8 - Leite carbono neutro, que é uma grande demanda que veio para ficar, principalmente após a COP26 - Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Glasgow, na Escócia.


    *Com informações da Agência Brasil e Embrapa