Práticas corretivas e adubação em sistemas de produção em pasto

A construção da fertilidade do solo se relaciona com a perenidade do sistema de pastagem

Pecuária

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A pecuária tropical brasileira está pautada majoritariamente em pastagens, sistema eficiente e de baixo custo quando bem manejado. Segundo o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG), a área de pastagem no Brasil é de, aproximadamente, 170,9 milhões de hectares, entre nativas e cultivadas.  

O ecossistema de pastagem é composto por relações complexas entre o solo, planta, animal e o meio, portanto, a aplicação de técnicas de manejo adequadas é imprescindível para manter o equilíbrio entre os componentes do sistema e garantir a sua sustentabilidade. 

Buscando esse equilíbrio, há necessidade de repor os nutrientes exportados do solo via produto animal (carne ou leite). Considerando também a baixa fertilidade natural da maioria dos solos brasileiros e a exigência das plantas forrageiras cultivadas, investimentos em correção e adubação do solo são indispensáveis, visto que, o solo corrigido e as adubações estão diretamente relacionados com fatores de produção primários, como taxa de lotação e desempenho animal. 

PRÁTICAS CORRETIVAS 
A amostragem do solo é a primeira etapa. Seu objetivo é representar a área através de uma amostra composta, ou seja, através da coleta de solo em vários pontos dentro de uma área homogênea. Com as amostras identificadas, podemos encaminhá-las ao laboratório que vai realizar as análises químicas e físicas. 

Com o resultado da análise de solo em mãos, podemos identificar a capacidade de um solo em suprir a demanda de nutrientes da planta forrageira e fazer as recomendações de correção e adubação. 

Podemos dividir as práticas corretivas em quatro etapas: 

1 - Calagem: consiste na aplicação de calcário, com o objetivo de corrigir o pH do solo na camada superficial (0-20 cm), neutralizar o alumínio tóxico às plantas e elevar os teores de cálcio e magnésio. 

2 - Gessagem: recomendada nos casos em que a saturação por alumínio estiver acima de 20% e o teor de cálcio abaixo de 0,5 cmolc/dm³ na camada subsuperficial (20-40 cm). Pós calagem, a gessagem traz benefícios nas camadas mais profundas, aumentando os teores de cálcio, magnésio e enxofre, redução da presença de alumínio toxico e consequente melhoria no ambiente radicular. 

3 - Fosfatagem: busca elevar os níveis de fósforo (P), aumentando a eficiência da adubação fosfatada. Em solos tropicais, geralmente ácidos, essa prática é indispensável, visto que o P é facilmente fixado e quando em contato com ferro (Fe) e alumínio (Al) há formação de compostos insolúveis e não disponíveis para as plantas. 

4 - Potassagem:  recomendada com base na curva de rendimento da planta, tem o objetivo de elevar os níveis do nutriente no solo, até próximo dos 95% do rendimento máximo da cultura. Cabe atenção à dose, já que não é recomendado doses únicas acima de 60kg/ha, devido a perdas por lixiviação e salinização do solo. Portanto, para doses acima de 60kg/ha recomenda-se o parcelamento. 

ADUBAÇÃO COM NPK
Com o solo corrigido, a adubação de manutenção e produção pode ser utilizada de forma eficiente. 
Resumindo a adubação em uma fórmula, temos:

Adubação = (Exigência da planta – capacidade de fornecimento de nutriente do solo) x f f=fator de eficiência

Interpretando essa fórmula, a adubação relaciona a necessidade da planta com a capacidade de suprimento de nutrientes do solo, considerando um fator de eficiência do nutriente no sistema. 

Nitrogênio (N): componente de diversas moléculas, como a clorofila, o nitrogênio participa da fotossíntese e está ligado ao teor de proteína nas plantas. É um dos grandes limitantes na produção de forragens e geralmente é o nutriente extraído em maior quantidade pelas plantas. Sendo assim, em sistemas intensivos, a adubação deve ser feita após cada ciclo de pastejo no período das águas. 
As principais fontes desse produto são: ureia (45% de N), sulfato de amônio (21% de N) e nitrato de amônio (32% de amônio). 
Nesse caso, a adubação deve ser calculada de acordo com a meta de produção. A dose pode partir de 50 kg de N por hectare por ano, em sistemas com menor taxa de lotação, e superar os 300 kg de N por hectare por ano em sistemas com taxas de lotação acima de 7 UA por hectare.

Fósforo (P): ligado ao balanço energético da planta, o P está intimamente ligado ao desenvolvimento radicular e ao perfilhamento das forrageiras. 
Para esse nutriente, as principais fontes solúveis são: superfosfato simples (18% de P2O5), superfosfato triplo (41% de P2O5), DAP (45% de P2O5) e MAP (48% de P2O5).
A adubação fosfatada deve levar em conta o teor do nutriente no solo, lotação e espécie forrageira, podendo partir dos 30 kg de P2O5 por hectare por ano e superar os 60 kg de P2O5, em sistemas mais intensivos. 

Potássio (K): nutriente envolvido em diversos processos bioquímicos e fisiológicos nas plantas, entre eles a regulação osmótica, abertura e fechamento de estômatos, fotossíntese, resistência ao frio e doenças (Freire et al. 2021). Para muitas espécies forrageiras esse nutriente é o segundo mais demandado, além disso, por não formar compostos, é móvel dentro da planta. 
As principais fontes de K são: cloreto de potássio (60 % de K2O), sulfato de potássio (50% de K2O) e nitrato de potássio (44% de K2O). Dentre essas fontes, o mais utilizado é o cloreto de potássio. 
Para a adubação potássica devemos considerar o teor presente no solo, a meta de produção e a espécie forrageira. Lembrando que os fertilizantes potássicos, de maneira geral, são altamente solúveis e apresentam níveis elevados de salinidade. Portanto, para doses acima de 60kg/ha, é recomendado o parcelamento na aplicação. 

SUSTENTABILIDADE DO SISTEMA
As práticas de manejo de solo são ferramentas indispensáveis no processo de intensificação da pecuária. A construção da fertilidade do solo em longo prazo garante a sustentabilidade do sistema aumentando a eficiência no uso dos recursos, trazendo maior rentabilidade ao produtor, diminuindo a necessidade de abertura de novas áreas e diminuindo a emissão de gases de efeito estufa. 
Porém, as práticas de correção e adubação devem estar aliadas ao manejo adequado da pastagem, considerando todos os fatores envolvidos na orçamentação forrageira. 

Referências
Scot Consultoria.
Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
Freire, F.M.; Coelho, A.M.; Viana, M.C.M.; Silva, E.A. Adubação nitrogenada e potássica em sistemas de produção intensiva de pastagens. Informe Agropecuário, v. 33, n. 266, p. 60-68, 2012.


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