Pressão de baixa no mercado do boi gordo

Entenda a situação do mercado e o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina em setembro e outubro

Pecuária

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No mercado do boi gordo, o cenário é de preços pressionados para baixo desde a confirmação dos casos de encefalopatia espongiforme bovina atípica (BSE) em Minas Gerais e em Mato Grosso, em 4 de setembro.

 

A situação levou à suspensão de exportações para a China e outros mercados, o que, somado ao aumento da oferta de gado oriundo de confinamento e consumo interno mais fraco, elevou a pressão negativa nos preços por parte dos compradores.

 

Destacando que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) já declarou que nada mudou no status brasileiro para a doença, que segue como insignificante.

 

No entanto, sem notícias com relação à suspensão das exportações para a China, os frigoríficos reduziram as compras e estão trabalhando com escalas de abates mais enxutas nas últimas semanas, sendo que algumas indústrias têm pulado dias de abate ou anunciado férias coletivas.

 

Segundo levantamento da Scot Consultoria, desde a confirmação (4/9) até meados de outubro (15/10), o preço da arroba do boi gordo cedeu 12,3% em São Paulo (figura 1). Na média das 32 praças pecuárias pesquisadas, o recuo no período foi de 9,5%.

 

Figura 1.

Preços da arroba do boi gordo em São Paulo, em R$ por arroba, livre de impostos.




Fonte: Scot Consultoria

 

 

EXPORTAÇÕES

 

Apesar da suspensão das exportações, o ritmo dos embarques seguiu firme após a quebra de recorde mensal em agosto/21, registrando novo recorde mensal.

 

Sem a possibilidade de outros mercados em prazo tão curto e aumento expressivo de demanda dos atuais compradores, especula-se que o ritmo firme foi sustentado por embarques à China de carne processada pelas indústrias até 3/9, pré-suspensão das exportações.

 

Em setembro foram embarcadas 187,02 mil toneladas de carne bovina in natura, equivalente a um embarque médio diário de 8,9 mil toneladas, ou 31,4% mais que a média de setembro/20 (Secex).

 

Apesar do bom desempenho das exportações no acumulado de setembro, destacamos as quedas nos volumes médios embarcados semanalmente desde a confirmação dos casos atípicos de vaca louca. Para uma comparação, na segunda semana de setembro/21 foram embarcadas, em média,  13,84 mil toneladas de carne bovina, recuando para 6,28 mil toneladas na última semana.

 

Em outubro/21, até a segunda semana, a média diária embarcada foi de 5,007 mil toneladas, uma queda de 37,6% na comparação anual.

 

 

EXPECTATIVAS

 

Enquanto não houver uma definição sobre as retomadas dos embarques de carne bovina para a China, a expectativa é de preços mais frouxos no mercado do boi gordo.

 

Após definida esta questão, a expectativa é que as vendas para o mercado externo continuem firmes no restante do ano e, somado a esse cenário, a sazonalidade de consumo do último bimestre no mercado interno, com a geração de empregos temporários e recebimento de décimo terceiro (apesar do índice de desemprego elevado), além do momento em meio ao cenário de pandemia relativamente controlada, devendo impulsionar o consumo, traz um cenário positivo para o escoamento doméstico.

 

 

 



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