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    Segundo Giro de Confinamento em 2022: A conta fecha?

    Frente à instabilidade do mercado do boi gordo, pecuaristas se encontram “em cima do muro”
    Scot Consultoria
    Segundo Giro de Confinamento em 2022: A conta fecha?
    Segundo Giro de Confinamento em 2022: A conta fecha?

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    Em 2022, tivemos um comportamento historicamente diferente para os preços da arroba do boi gordo durante a entressafra de capim. Os preços que geralmente sobem de julho a setembro, devido à menor disponibilidade de gado terminado, caíram ( figura 1) .

    Figura 1.
    Comportamento de preços reais (deflacionados pelo IGP-DI) da arroba do boi gordo em São Paulo, nos últimos 10 anos (2013-2022), em azul (eixo da esquerda), e apenas em 2022, em laranja (eixo da direita).
    A pressão de baixa no preço da arroba do boi gordo tem relação com o aumento do abate de fêmeas no primeiro semestre (incremento na oferta), maior comercialização de gado confinado à termo e ao escoamento fraco de carne bovina no mercado doméstico.

    Mesmo com as exportações em um dos melhores patamares, o mercado interno é um dos fatores que pode limitar o estímulo ao confinamento nesse segundo giro. 

    Os dados parciais levantados pela Scot Consultoria apontam estabilidade em relação à oferta/intenção do confinador para o segundo giro da atividade (Confina Brasil, 2022).

    Os confinadores que atuam de maneira estratégica, utilizando o sistema como uma opção para épocas de menor disponibilidade de pasto, costumam iniciar o segundo giro em setembro. 

    Mas, o produtor teme que, no final da engorda, o preço da arroba não cubra o custo de produção e, ainda mais recente, lembra-se da ausência da China em 2021 e da derrocada de preços no mercado do boi gordo.

    O QUE ESPERAR DO SEGUNDO GIRO?
    O que define a viabilidade do confinamento é a correlação entre três fatores primordiais da atividade: preço pago pela reposição (boi magro), custo da diária e preço de venda da arroba produzida.

    A reposição é responsável pela maior parte do investimento dentro do confinamento, representando cerca de 70% dos custos. A referência de preço para o boi magro em São Paulo caiu 1,9% em doze meses, negociado a R$3,8 mil por cabeça.
    Com o incremento na oferta na segunda safra em 2022, o preço do milho, outro importante componente do custo de produção em confinamento e parte fundamental do custo da diária, caiu 6,3% em doze meses. 

    Mesmo com esse cenário, aparentemente favorável, a instabilidade do mercado do boi gordo atrelado à dificuldade de escoamento da carne bovina no mercado interno têm sido motivo de preocupação e entrave na atividade.

    Assim, realizamos uma simulação de um sistema de engorda em confinamento em São Paulo, com a entrada da boiada no início da segunda quinzena de setembro, com duração de 90 dias de confinamento, ganho de peso diário de 1,6 quilo e rendimento de carcaça de 56%. 

    Foi considerada uma diária média de R$20,00/cabeça e o preço de aquisição do boi magro em R$3,8 mil por cabeça.

    A venda para o frigorífico ocorrerá em meados de dezembro, portanto, foi utilizada a cotação do contrato futuro do boi gordo na B3 referente à praça paulista, com vencimento em dezembro/22. A cotação é de R$316,50/@, no fechamento de 15/9/2022.

    Nesse cenário, foi estimada a rentabilidade do segundo giro de confinamento neste ano, comparado ao ano anterior (tabela 1) .

    Tabela 1. 
    Estimativa de resultado econômico da engorda de bovinos no segundo giro de confinamento, em São Paulo, em 2021 e 2022.
    No cenário apresentado, o resultado previsto é de um lucro de R$355,26 por cabeça confinada em 2022. Quando comparado ao segundo giro em 2021, este cenário representa uma melhora de aproximadamente 166%, nos resultados em relação ao ano anterior.

    EXPECTATIVAS E DESAFIOS
    O segundo giro do confinamento, com entrada dos animais em agosto/setembro e saída em novembro/dezembro, teoricamente representa um melhor retorno financeiro, visto que nesse período espera-se uma alta nos preços da arroba. 

    No entanto, nos encontramos em uma fase de transição do ciclo pecuário em meio à entressafra, resultando em uma curva atípica para o período em que os preços do mercado do boi, que a esse momento já deveriam ter alcançado patamares mais elevados, trabalharam em queda. 

    Mesmo com uma melhor oferta de milho e com a reposição mais frouxa, possibilitando a aquisição de insumos por preços menores, a volatilidade do mercado traz inseguranças para o pecuarista. 

    Existe espaço para que a arroba ganhe firmeza no decorrer do último trimestre. As festividades do final do ano vêm ainda mais intensas nesse 2022, com as eleições presidenciais e a Copa do Mundo. 

    SALTO NO CONSUMO INTERNO
    Esse cenário, atrelado ao pagamento do 13º salário e geração de empregos temporários no fim do ano, pode significar um salto no consumo interno e, somado à expectativa de um ritmo exportador firme, consequentemente preços mais firmes para a arroba do boi gordo.

    Na atividade pecuária, a volatilidade de preços tem feito cada vez mais parte do dia a dia do pecuarista. Costumamos dizer que “não existe ano típico na pecuária, é sempre um ano atípico”. 

    Principalmente falando de confinamentos, os resultados promissores estão diretamente relacionados à boa compra do boi magro e/ou dos insumos. Portanto, um bom planejamento, antecipando os movimentos de altas e baixas do mercado, é ferramenta fundamental para garantir bons retornos financeiros na atividade. 

    Nesse contexto, ter conhecimento dos seus custos e ter uma boa gestão, pensando muitas vezes na proteção de preços de venda, é o que vai garantir o sossego e a permanência na atividade em longo prazo.

    Por Julia Zenatti, analista de mercado da Scot Consultoria, e Felipe Fabbri, zootecnista, me. e analista de mercado da Scot Consultoria