Seu rebanho não pode ficar sem alimento

Estratégias de alimentação e suplementação de bovinos de corte no período seco

Pecuária

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Na estação seca, a qualidade e quantidade de pastagens diminui em função da redução da incidência luminosa, da queda na temperatura e do menor índice pluviométrico (chuvas).

Com isso, o produtor deve se planejar com antecipação para que não falte alimento para o rebanho e para que não ocorram prejuízos à atividade.

O período seco revela a necessidade de suplementação, objetivando o fornecimento dos nutrientes e minerais necessários para a manutenção do desempenho animal, no caso da pecuária, o ganho de peso ou produção de leite.

Para definir a suplementação a ser utilizada, é necessário avaliar as condições, principalmente econômicas, como o preço de venda dos animais, os preços dos grãos e a disponibilidade de forragem, estruturas, equipamentos, mão de obra, bem como as questões climáticas.

No caso da suplementação mineral, os produtos disponíveis atualmente são:
            1. Suplementos minerais de pronto uso: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral.
            2. Suplementos minerais para mistura: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral. Deverão ser misturados ao cloreto de sódio (sal comum) ou a outros ingredientes para serem fornecidos ao animal.
            3. Suplementos minerais proteico-energéticos: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral, pelo menos vinte por cento de proteína bruta e fornecem, no mínimo, trinta gramas de proteína bruta e cem gramas de nutrientes digestíveis totais (NDT) por cem quilos de peso corporal.
            4. Suplementos minerais proteicos: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral, pelo menos vinte por cento de proteína bruta (PB) e fornecem, no mínimo, trinta gramas de proteína bruta (PB) por cem quilos de peso corporal.
            5. Núcleos: pré-mistura composta por aditivos e minerais (macro e micronutrientes) e contêm ou não veículo ou excipiente, que facilita a dispersão em grandes misturas. Não podem ser fornecidos diretamente aos animais.
            6. Suplementos minerais com ureia: possuem em sua composição macro e/ou microelemento mineral, ureia e, no mínimo, quarenta e dois por cento de equivalente proteico.
            7. Concentrados: misturas compostas por ingredientes ou aditivos que, quando associadas a outros ingredientes, em proporções adequadas, constituam uma ração.

A utilização de cada produto depende da estratégia, do nível de tecnologia empregado e manejo nutricional de cada sistema e visa corrigir a limitação primária de proteína e minerais das pastagens e permitir que o animal aumente o consumo da forrageira de baixa qualidade.

Para a produção de alimentos volumosos, a conservação de forragens pode ser indicada, aproveitando os excessos do período chuvoso e armazenando-os para a época crítica, mantendo as suas qualidades nutritivas.

O produtor precisa conhecer seus pastos e saber quanto cada área produz, assim como conhecer as normais climatológicas (médias históricas) de chuvas e temperaturas da região.

Para isso, o produtor pode diferir (vedar) uma porção de sua área de pasto, pode produzir feno, silagem ou até irrigar o pasto no inverno.

Abordamos a seguir três estratégias de conservação de forragem:

Produção de silagem
No Brasil, a silagem de milho é a mais conhecida e utilizada, seguida do sorgo, cana-de-açúcar, capim Napier e outras gramíneas forrageiras. Entretanto, é possível ensilar muitos outros produtos e subprodutos agrícolas.

Na colheita, a altura do corte das plantas, tanto do milho quanto do sorgo, ocorre normalmente entre 15 e 20 cm do solo. Quanto maior a altura do corte, menor será o volume colhido por hectare. O ponto ideal para o corte do milho e do sorgo para a ensilagem deve ser quando a planta apresenta de 28 a 35% de matéria seca.

Normalmente é plantado na safra de verão (outubro/novembro), colhido (fevereiro/março) e ensilado para abertura do silo e utilização na seca (maio/junho).

O processo de ensilagem é composto pelo corte, trituração do material, compactação e vedação do silo. É importante que o corte e a compactação sejam feitos rapidamente. A compactação, realizada de forma intensa, colabora com o processo de fermentação e preserva as qualidades nutricionais da planta. O maquinário e as técnicas de colheita, picagem, compactação e vedação garantem o rendimento da silagem e seu custo-benefício.

Fenação
Para a fenação, é indicado que a planta escolhida tenha boa produção de massa verde, boa resistência aos cortes frequentes, caules finos e muitas folhas e fácil cultivo e adaptabilidade ao clima da região.

O processo de fenação engloba o corte da planta, a desidratação/secagem, o enfardamento e o armazenamento.  A forragem deve ser cortada e desidratada até que permaneçam entre 15 e 20% de umidade. A taxa de secagem é favorecida pela presença de maior proporção de folhas e caules finos, que depende da espécie, do momento de corte e do processamento no campo.

A secagem deve ser uniforme e rápida, visando manter a qualidade do feno. No caso de gramíneas a secagem se dá durante 1 a 2 dias após o corte, com 2 ou 3 viradas.

Durante o processo devem-se evitar chuvas, pois a água arrasta os nutrientes da planta e compromete o rendimento.

Entre as gramíneas para a fenação se destacam pangola, jaraguá, colonião, gordura, rhodes, kikuio, espécies do gênero Cynodon em geral, braquiárias, etc. Entre as leguminosas, podemos citar a alfafa, soja perene, siratro, centrosema, etc.

Pré-secado
Consiste em reduzir a quantidade de água das forragens expondo-o ao sol ainda no campo, logo após a colheita. Implica em menor risco do que a fenação, porque o período necessário para eliminação de umidade é menor.

Enquanto a fenação requer de três a quatro dias para “desidratar” e atingir o ponto ideal abaixo de 20% de umidade, o pré-secado pode ser enfardado com em torno de 55% a 65% de umidade.

Qual método de conservação de forragem devo escolher?
O pecuarista pode adotar inúmeras estratégias com relação à suplementação de bovinos no período seco, cada uma apropriada às condições do sistema de produção utilizado na propriedade ou sistema, porém, um ponto importante é a disponibilidade de maquinário para cada tipo de processamento ou a possibilidade de terceirização dos serviços, assim como a categoria animal a qual pretende atender com o alimento.

A escolha do volumoso a ser produzido vai depender da disponibilidade de mão de obra, insumos, maquinário, clima e do conhecimento técnico do produtor ou do responsável pela propriedade.

Referências
Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

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