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    Sistemas produtivos da cadeia leiteira

    A qualidade de vida e o ambiente exerce influência em todas as raças bovinas produtoras de leite. Entenda como esses fatores podem interferir na produção
    Scot Consultoria
    Créditos: Arquivo e Scot Consultoria
    Créditos: Arquivo e Scot Consultoria

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    A influência da industrialização na agropecuária e o estudo aplicado, com a finalidade de melhorar o desempenho produtivo, levaram a sistemas diferentes na produção de leite nos últimos anos.

    Aqui abordaremos os principais sistemas produtivos na cadeia leiteira, a qualidade de vida dos bovinos e como os sistemas produtivos podem interferir na produção de leite.

    ESTRESSE TÉRMICO – MUITO PRODUZ QUEM POUCO SE ESTRESSA
    O ambiente influencia todas as raças bovinas produtoras de leite, sendo cada uma delas, devido às particularidades de cada raça, afetadas em intensidades diferentes.

    O estresse térmico é um dos principais fatores que influencia na produção de leite, pois ocasiona resposta tanto comportamental quanto fisiológica nos bovinos. Idade, sexo, genética, intensidade e duração da fonte de estresse são catalizadores da resposta sistemática.

    Sob estresse térmico, o bovino emite resposta para manter o equilíbrio fisiológico, sendo a temperatura e a umidade relativa do ar os principais pontos de determinação de um ambiente potencialmente estressor.

    No Brasil, dado nosso clima tropical, há a tendência de temperaturas e umidade do ar altas, variando de acordo com as regiões. Durante períodos de estresse, ocorrem mudanças comportamentais e fisiológicas.

    A mudança comportamental é traduzida através do aumento do ócio das vacas leiteiras, diminuindo o tempo de pastejo, ingestão e ruminação. As vacas ficam mais tempo em pé em uma tentativa de perder o calor para o ambiente. O tempo que a vaca fica deitada e sentada, ou seja, descansando, interfere na produção de leite.

    A alteração fisiológica se dá através do aumento da frequência respiratória em uma tentativa de eliminar o calor excessivo, porém esse meio pode resultar em queda na ingestão de alimento e levar até a uma situação de alcalose respiratória.

    Outra alteração fisiológica é o aumento da exigência nutricional, por conta das vias metabólicas acionadas em função do estresse térmico, ou seja, a vaca utiliza energia para dissipar calor de seu corpo.

    Devido às alterações, a produção de leite diminui consideravelmente, assim como a qualidade, visto a redução de caseínas, importante proteína do leite.

    A fim de melhorar a ambiência dos animais de produção, estudos foram realizados e a implementação de tecnologias foram adotadas. Desta forma, diferentes instalações foram criadas, minimizando o estresse advindo de calor. Discorreremos sobre elas a seguir:

     Sistemas produtivos da cadeia leiteira 1 

    FREESTALL
    É um sistema de produção utilizado em gado de leite, tem como foco a facilidade de manejo e aumento do bem-estar animal. A planta da instalação é construída para aumentar a ventilação natural, obtendo um fluxo intenso de ar.

    As camas são individuais e geralmente de areia, colchão ou serragem, a depender da disponibilidade na região e adaptação do rebanho.

    Para manter o bem-estar animal, a higiene e nutrição são bem presentes. A limpeza do local deve ser realizada diariamente e pode ser feita por maquinários nas áreas de piso e manual nas camas. Cochos e bebedouros devem ser instalados sempre próximo às baias.

    A limpeza diária é importante, para minimizar o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, principalmente aqueles ligados à saúde do úbere (mastite).

    Há certa preocupação no quesito sustentabilidade, devido ao uso diário de água, utilizada na lavagem do piso.

    O piso, quando de cimento, precisa ser frisado, aumentando o atrito entre o casco da vaca e o chão, evitando quedas. Além disso, o material precisa ser de boa qualidade, para que buracos e rachaduras não prejudiquem os cascos.

    Desta forma, com um ambiente climatizado e confortável, o tempo de ruminação aumenta. Assim há uma tendência ao aumento de produção de leite neste sistema.
     
    Figura 1.
    Instalação de freestall , com piso frisado.
    Sistemas produtivos da cadeia leiteira 2
     
    COMPOST BARN
    Neste sistema, não há camas individuais. A área possui divisões apenas entre o local de oferta de comida e bebida e o de descanso.

    A área de descanso é feita, geralmente, de uma mistura de serragem, maravalha, casca de café ou de amendoim, palha de arroz, entre outros materiais orgânicos disponíveis na região. Tal material da cama se mistura aos dejetos das vacas, estando sempre em algum estágio de compostagem.

    É necessário revirar esse material da cama ao menos duas vezes ao dia, geralmente, este manejo é feito no momento em que as vacas estão na ordenha.

    Uma vez que a maior parte da área da instalação é de material macio, as ocorrências de problemas de casco são menores.

    O processo de compostagem libera calor na cama e, através das altas temperaturas, o crescimento dos microrganismos é controlado, melhorando os índices sanitários.
     
    Figura 2.
    Vacas em sistema de compost barn .
    Sistemas produtivos da cadeia leiteira 3
     
    CROSS VENTILATION
    O sistema de ventilação cruzada visa reduzir o estresse térmico dos bovinos, aumentando seu bem-estar e, consequentemente, a produtividade. Nos galpões, é possível controlar umidade e temperatura, como já visto fatores cruciais para determinar se o bovino está em homeostase térmica.

    Em um galpão fechado, uma das extremidades possui, na parede, exaustores que removem o ar quente presente no galpão. Isso gera uma pressão negativa que faz “entrar” ar fresco pela outra extremidade.

    Com este maior controle sobre o ambiente, geralmente, é possível utilizar raças com genéticas de alta produção e mais adaptadas a climas amenos. Há um custo a mais por toda esta infraestrutura, porém a produtividade tende a ser maior.
     
    Figura 3.
    Galpão com cross ventilation .
    Sistemas produtivos da cadeia leiteira 4

    QUAL A MELHOR INSTALAÇÃO?
    A resposta sempre será: depende .

    São vários fatores a serem considerados, como: custo de investimento e manutenção, raças das vacas da propriedade, sustentabilidade, espaço disponível, tecnificação da mão de obra, maquinário disponível, entre outros.

    O ideal é definir em conjunto com um consultor especializado, atendendo a realidade de cada fazenda e produtor.


    Por Rodrigo Silva, médico-veterinário; Felipe Fabbri, zootecnista, me; Jéssica Olivier, engenheira agrônoma: Analistas de mercado na Scot Consultoria.

    Referências bibliográficas
    GUIMARÃES, Alessandro. Compost Barn System: characterization of parameters referring to milk quality and mastitis, reproduction, animal welfare, composting and economics in tropical conditions. Embrapa Dairy Cattle, 8/2018. Disponível em: <https://www.embrapa.br/en/busca-de-projetos/-/projeto/209863/sistema-compost-barn-caracterizacao-dos-parametros-de-qualidade-do-leite-e-mastite-reprodutivos-bem-estar-animal-do-composto-e-economicos-em-condicoes-tropicais>. Acesso em: 23, fevereiro e 2023.
    Pecuária leiteira em sistema cross-ventilation: por que esse é o melhor sistema?. Sapé Agro e do Agronegócio. Disponível em: <https://www.sapeagro.com.br/noticia/pecuaria-leiteira-em-sistema-cross-ventilation-por-que-esse-e-o-melhor-sistema/23>. Acesso em: 23, fevereiro de 2023.