Situação atual e expectativas para os mercados de milho e farelo de soja

Com as geadas em julho e perdas nas lavouras de milho de segunda safra, os preços do cereal dispararam no mercado interno. Já a cotação do farelo de soja se mostrou mais frouxa, acompanhando os recuos no mercado internacional

Pecuária

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Os preços do milho subiram em julho no mercado brasileiro, com as geadas e perdas nas lavouras de segunda safra, além da boa demanda interna.

 

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, a referência fechou o último mês em R$106,50 por saca de 60 quilos (30/7), uma alta de 15,8% na comparação mensal.

 

Já na primeira quinzena de agosto, com o clima pesando menos, o avanço da colheita e o comprador ausente das negociações, as cotações do milho recuaram para R$104,00 na região.

 

Veja na figura 1 a evolução dos preços do cereal e Campinas-SP. Na comparação com agosto do ano passado, o milho está custando 85,0% mais este ano.

 

Figura 1.

Preços do milho em grão na região de Campinas-SP, em R$ por saca de 60 quilos.


Fonte: Scot Consultoria

 

Para o curto e médio prazos, o cenário é de cautela no mercado de milho, diante das perdas e revisões para baixo na produção brasileira.

 

Com relação à segunda safra de milho (2020/21), em fase de colheita de país, no relatório divulgado no dia 11 de agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo, em 6,3%, a produtividade média esperada para o ciclo atual, frente às estimativas de julho último para esta temporada. Na comparação com a segunda safra passada (2019/20), o rendimento médio das lavouras deverá ser 25,7% menor este ano.

Com isso, considerando as produções na primeira, segunda e terceira safras 2020/21, estão previstas 86,65 milhões de toneladas de milho no Brasil na temporada atual. Este volume é 15,5% menor que o colhido na safra passada, o equivalente a 15,94 milhões de toneladas a menos.

 

Ressaltamos, porém, que, com o avanço da colheita e o aumento da disponibilidade interna, se o comprador seguir afastado e o clima for mais favorável na segunda metade de agosto, existe espaço para recuos pontuais nas cotações do milho no país.

 

Por fim, outros fatores que podem pontualmente tirar a sustentação do mercado são: as importações em volumes maiores e o clima melhor nos Estados Unidos, depois da falta de chuvas e calor em importantes regiões produtoras, que fez os preços do milho e da soja recuarem nos últimos dias no mercado norte-americano.

 

Para o longo prazo, os estoques internos mais enxutos nesta temporada deverão limitar as quedas nas cotações do milho no país, com previsão de patamares ainda elevados para este segundo semestre.

 

Farelo de soja

 

O preço do farelo de soja caiu 2,0% na primeira quinzena de agosto em São Paulo, na comparação com o fechamento de julho, acompanhando os recuos nas cotações do insumo no mercado internacional e pressão sobre as cotações da soja em grão.

 

De acordo com a Scot Consultoria, o preço médio do farelo de soja no estado ficou em R$2.330,00 por tonelada.

 

Observe na figura 2, que apesar dos preços mais frouxos do insumo nos últimos meses, a referência ainda está 24,8% acima na comparação com agosto do ano passado.

 

Figura 2.

Preços médios quinzenais do farelo de soja em São Paulo, em R$ por tonelada, sem o frete.


Fonte: Scot Consultoria

 

Para o curto e médio prazos, a expectativa é de preços andando de lado para o farelo de soja no mercado interno, com a demanda interna firme e boa movimentação para exportação.

 

Segue a atenção ao câmbio e às cotações do farelo e grão no mercado internacional, que podem pontualmente impactar os preços no mercado brasileiro. 

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