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    Suplementação na seca – Entenda a importância

    Para que a produtividade não seja afetada pela sazonalidade, faz-se necessário o uso de suplementos capazes de favorecer o aproveitamento da forrageira de baixa qualidade
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    Suplementação na seca – Entenda a importância
    Suplementação na seca – Entenda a importância

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    No Brasil Central, o período seco compreende os meses de maio a setembro, caracterizado pela baixa precipitação, temperatura e luminosidade que dificulta o rebrote, o acúmulo e a qualidade da forragem (figura 1)

    Figura 1. 
    Taxa de acúmulo de forragem do capim-mombaça (kg de MS/ha/dia), no eixo da esquerda, e precipitação brasileira mensal histórica acumulada (em mm), no eixo da direita.


    Como consequência, o teor de proteína da forrageira é significativamente reduzido, se tornando o fator nutricional mais limitante no período seco. 

    As bactérias ruminais são responsáveis por digerir a proteína e transformá-las em amônia, sendo, portanto, utilizada por esses microrganismos como fonte de nitrogênio para liberar ácidos graxos e gerar energia para o bovino. Uma vez que o nível proteico está reduzido, o desempenho produtivo do animal é afetado.

    Para que a sazonalidade não afete de maneira proeminente a produtividade, o uso de suplementos capazes de favorecer o aproveitamento da forrageira de baixa qualidade e fornecer nutrientes para atender às exigências de cada categoria animal torna-se necessário. Além disso, a suplementação estratégica pode fornecer boas condições de desenvolvimento ao animal o ano todo, contribuindo para o encurtamento dos ciclos produtivos.

    Escolha de acordo com o objetivo
    O tipo de suplementação a ser realizada dependerá do objetivo do pecuarista, se visa a manutenção ou aumento do peso vivo do rebanho no período seco. 

    Em caso de manutenção de peso, um suplemento mineral ureado pode ser suficiente, porque contém quantidade adequada de nitrogênio para manter a síntese microbiana no rúmen.

    Para ganho de peso vivo (PV) há necessidade de lançar mão de um suplemento proteico (tabela 1) .

    Tabela 1.
    Ganho de peso estimado com dois diferentes tipos de suplementação na seca.

    Além do desempenho zootécnico, a estratégia de suplementação adotada deve ser economicamente viável, ou seja, o retorno financeiro deve ser medido. 

    A seguir, uma simulação do ponto de equilíbrio da utilização de um mineral proteico de baixo consumo (0,1% do PV) para um bovino de 250 kg de PV.

    Ponto de equilíbrio – Proteico de baixo consumo (0,1% do PV)

    Preço médio por saco de 30kg de suplemento proteico = R$ 85,00

    Consumo diário estimado para um animal de 250kg de PV consumindo 0,1% do PV=0,250 g

    R$ 85,00/30 kg = R$2,83/kg de suplemento consumido.

    Investimento mensal, em reais

    Um quilograma do suplemento corresponde a R$ 2,83. Em um cenário de consumo diário de 0,250 kg, teríamos o equivalente a R$ 0,70/dia. Se considerarmos 30 dias de suplementação, o custo envolvido no processo seria de R$21,00. 

    Considerando o preço médio parcial de R$296,00/@ do boi gordo, a prazo e livre de impostos, na praça pecuária paulista, em junho de 2022, de acordo com levantamento da Scot Consultoria, onde 1@ equivale a 15 kg em carcaça ou 30 kg em peso corporal temos:

    Preço do kg do boi gordo

    R$296,00/30 kg =R$9,87/kg

    Ponto de equilíbrio financeiro do suplemento proteico:

    R$21,00/ R$9,87 = 2,13 kg/mês

    2,13 kg /30 dias = 0,071 kg/ dia
     
    Para que o investimento em suplementação proteica se pague, o ganho adicional de peso deve ser de, no mínimo, 0,071 kg/dia. Conforme abordamos na tabela 1, os ganhos estimados com esse tipo suplementação são de 0,200 kg/dia, gerando um “saldo” de 0,129 kg/dia.

    Mesmo com a oferta de suplemento, a presença de massa de forragem, ainda que de baixa qualidade, é indispensável, visto que a suplementação de baixo consumo tem como objetivo melhorar a digestibilidade do volumoso e não o substituir. 

    Em caso de ausência de forragem é necessário fornecer outros volumosos, como feno ou silagem.

    Por Lorraine Nóbrega – zootecnista  Scot Consultoria
    Referências:  Embrapa – Gado de corte.