Virada no mercado do boi gordo

Cotações dos animais destinados ao abate subiram nas principais regiões produtoras na primeira quinzena de novembro

Pecuária

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Na contramão da pressão de baixa que vinha ocorrendo no mercado do boi gordo após a confirmação de dois casos atípicos de doença da “vaca louca” no Brasil, as cotações dos animais destinados ao abate subiram nas principais regiões produtoras de gado de corte na primeira quinzena de novembro.

Apesar da oferta de gado ser maior no segundo semestre, este ano, em função da menor disponibilidade devido ao ciclo pecuário, o cenário em novembro tem sido de oferta mais escassa.

Embora as exportações de carne bovina à China sigam suspensas até a redação deste artigo (12/11), o que pressiona o mercado negativamente, os preços voltaram a subir, puxados pela oferta de boiadas confinadas menor e consequente aumento do poder de negociação dos pecuaristas.

Em função disso, os frigoríficos estão trabalhando com escalas de abate reduzidas. O consumo, por sua vez, segue sem grandes incrementos, mas tem fluído melhor com o avanço da vacinação contra covid-19 somada à sazonalidade de consumo típica do último bimestre.

Após registrar a menor cotação do ano nos últimos dias de outubro, na primeira quinzena de novembro, segundo levantamento da Scot Consultoria, o preço da arroba do boi gordo subiu 11,5%, ou R$29,50/@, em São Paulo (figura 1). Na média das 32 praças pecuárias pesquisadas, a alta no período foi de 5,5%. 
Na contramão da pressão de baixa que vinha ocorrendo no mercado do boi gordo após a confirmação de dois casos atípicos de doença da “vaca louca” no Brasil, as cotações dos animais destinados ao abate subiram nas principais regiões produtoras de gado de corte na primeira quinzena de novembro.

Apesar da oferta de gado ser maior no segundo semestre, este ano, em função da menor disponibilidade devido ao ciclo pecuário, o cenário em novembro tem sido de oferta mais escassa.

Embora as exportações de carne bovina à China sigam suspensas até a redação deste artigo (12/11), o que pressiona o mercado negativamente, os preços voltaram a subir, puxados pela oferta de boiadas confinadas menor e consequente aumento do poder de negociação dos pecuaristas.

Em função disso, os frigoríficos estão trabalhando com escalas de abate reduzidas. O consumo, por sua vez, segue sem grandes incrementos, mas tem fluído melhor com o avanço da vacinação contra covid-19 somada à sazonalidade de consumo típica do último bimestre.

Após registrar a menor cotação do ano nos últimos dias de outubro, na primeira quinzena de novembro, segundo levantamento da Scot Consultoria, o preço da arroba do boi gordo subiu 11,5%, ou R$29,50/@, em São Paulo (figura 1). Na média das 32 praças pecuárias pesquisadas, a alta no período foi de 5,5%. 

Figura 1.
Preços da arroba do boi gordo em São Paulo, em R$ por arroba, livre de impostos.
 
Fonte: Scot Consultoria

Além das praças paulistas, outros estados também registraram incrementos expressivos na cotação do boi gordo no mesmo período (tabela 1). 

Tabela 1. 
Principais movimentações na cotação do boi gordo nas praças monitoradas na primeira quinzena de novembro de 2021.

Praça pecuária

Variação

MG - Triângulo

13,9%

GO - Goiânia

11,9%

MT - Cuiabá

11,1%

MS - Dourados

10,7%

Fonte: Scot Consultoria

EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA EM BAIXA 
Em setembro especula-se que o ritmo firme das exportações de carne bovina in natura foi sustentado por embarques à China de carne processada até 3/9, pré-suspensão das exportações, porém, ao longo do mês, ocorreram quedas nos volumes médios embarcados. 

Já em outubro foram embarcadas 82,1 mil toneladas de carne bovina in natura, queda de 56% frente ao mês anterior e de 49,5% na comparação com outubro de 2020, reflexo da ausência das compras chinesas e sem a possibilidade de abertura de outros mercados. Foi o pior volume embarcado desde junho de 2018.

Na primeira semana de novembro, foram exportadas 15,7 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 37,2% menor que no mesmo período do ano passado. Entretanto, analisando as exportações das demais proteínas animais (aves e suínos), na comparação anual, os volumes e faturamento estão maiores neste ano (figura 2).

Figura 2.
Variação no volume e faturamento das exportações brasileiras em novembro/21 comparado a novembro/20, de carne de aves, carne bovina e carne suína.

 
Fonte: Scot Consultoria

EXPECTATIVAS PARAO CURTO PRAZO
A perspectiva para a segunda quinzena de novembro e primeira quinzena de dezembro é de firmeza nas cotações, com a oferta de gado terminado menor. 

Na B3, o contrato futuro de boi gordo com vencimento para dez/21 está cotado em R$312,00 (12/11), reforçando este cenário. 

Com relação às exportações, a retomada das compras pela China segue incerta, ressaltando que o país tem importado carne bovina de outros países, com destaque aos Estados Unidos.

Com aumento da produção de carne suína pelo gigante asiático em 2021 (USDA), a cotação do suíno até meados de outubro trabalhou em queda no país, o que, em meio a um cenário de custos elevados, gerou desestímulos à atividade. 

A queda nos preços dos suínos na China pode estar colaborando com a ausência da resposta sobre a retomada das compras de carne bovina brasileira.

Para o consumo de carne bovina no mercado doméstico, as expectativas são de aumento, com a maior capitalização da população brasileira atrelada ao recebimento de décimo terceiro salário, geração de empregos temporários e, principalmente, a pandemia relativamente controlada estimulando as comemorações de final de ano. 

Dessa forma, o escoamento doméstico deve ser impulsionado, ainda que os níveis de consumo estejam abaixo dos esperados para esta época do ano devido ao desemprego e baixo poder de compra da população. O que, em um cenário de oferta reduzida pelo ciclo pecuário, traz expectativas positivas para os preços em curto prazo.


 
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