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    Você sabe como funciona o ciclo pecuário de preços?

    Entenda mais sobre o funcionamento do mercado do boi gordo e de reposição em 2022 e as expectativas no Brasil e no mundo para o ano que está começando
    Scot Consultoria
    Mercado boi gordo
    Mercado boi gordo

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    Em 2022, entramos na fase de baixa do ciclo pecuário de preços. Mas, afinal, o que é o ciclo pecuário de preços e qual seu peso na dinâmica do mercado pecuário?

    Ciclo pecuário é o nome dado ao ciclo de preços do boi gordo e reposição, que ocorre por causa das variações de oferta, após fases de investimento ou desinvestimento na atividade de cria.

    Em momentos de preços em alta, como vivido desde 2018 para a reposição e desde 2019 para o boi gordo, há estímulo à atividade, gerando investimentos.

    O acompanhamento dos níveis de abate de vacas e novilhas ajuda de maneira importante na avaliação da fase do ciclo pecuário em que nos encontramos.

    Momentos de preços de categorias animais destinados à reposição mais atrativos incidem em maior investimento na atividade e retenção de fêmeas, resultando em diminuição do total de bovinos abatidos.

    O momento atual é de fase de baixa do ciclo pecuário, conforme apresentado na figura 1.


    Após um começo de ano com preços avassaladores, o ciclo pecuário de preços pesou. O descarte de fêmeas, e por consequência oferta de gado para abate, aumentou e a arroba do boi gordo caiu em termos nominais e reais (deflacionados pelo IGP-DI). Acompanhe na figura 2.

    Em dezembro, o mercado do boi gordo ensaiou alta, puxado por uma diminuição na oferta e incremento na demanda interna com as festividades de fim de ano. Em São Paulo, a cotação do boi gordo subiu R$5,00/@ e chegou a ser negociada a RS285,00/@ para o boi destinado ao mercado interno, alta na mesma intensidade também para o “boi China”, que foi negociado em até R$290,00/@, preços brutos e a prazo.

    O movimento, porém, fora limitado pelo cenário de incremento na oferta ao longo de 2022 e consumo doméstico aquém às expectativas para o período. Assim, a referência encerrou o mês apreciada no mesmo patamar que na abertura do mês.

    Do lado da exportação de carne bovina in natura, o ano foi recorde e dezembro também. Foram embarcadas 1,99 milhão de toneladas no ano, com faturamento de US$11,8 bilhões. 
    Em dezembro/22, 152,8 mil toneladas de carne bovina in natura foram exportadas. Esse foi o melhor mês de dezembro em termos de embarques, destaque negativo ao preço médio por tonelada (US$4,9 mil), que caiu ao longo do segundo semestre.

    Para janeiro, o mercado deve trabalhar mais lateralizado e com a possibilidade de altas pontuais, principalmente devido à diminuição na oferta de gado confinado e retomada das chuvas em boa parte do Brasil proporcionando a rebrota do capim. Cabe atenção, porém, ao consumo doméstico que sazonalmente é mais fraco em janeiro e poderá limitar a demanda por parte da ponta compradora, diminuindo uma possível pressão do lado da oferta advinda do campo.

    EXPECTATIVAS PARA 2023
    A oferta de gado deverá seguir crescente em 2023, com preços menores para a reposição e manutenção do estímulo ao descarte de fêmeas. 

    Com incremento na oferta, os preços da arroba do gado gordo deverão seguir frouxos em 2023. 

    Do lado da demanda, há a expectativa de redução de 9,3% na importação global de carne bovina pela China, nosso principal cliente (USDA). Esse cenário poderá impactar o mercado brasileiro.

    MARCADO INTERNACIONAL
    Olhando para o mercado internacional, há outros fatores que soam positivos ao setor e que devem ser levados em consideração. Importantes concorrentes do mercado brasileiro encontram-se em momentos distintos, o que pode abrir espaço à carne brasileira no mercado internacional.

    Na  Austrália , os preços da arroba trabalharam nos maiores patamares da história do país em 2022 e, ao longo do ano foram relatados casos de febre aftosa na Indonésia e outros países da Oceania, que pressionou o mercado local.

    Argentina , em função política vivida pelo país, viu a exportação ser fortemente impactada, cenário que deverá persistir em 2023.

    Já o  Estados Unidos , segundo maior exportador do mundo, entrará em fase de retenção de fêmeas para produção de bezerros em 2023, diminuindo o abate de bovinos e produção de carne do país.

    Assim, apesar da possibilidade de menor volume de compras por nosso maior cliente, o Brasil poderá ampliar espaço em outros mercados. 
    Para o mercado interno, as expectativas são relativamente positivas. Segundo o Banco Central (Bacen), há perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022 e 2023. 

    Somado a essa expectativa, o desemprego atingiu, em 2022, o menor patamar desde 2015 e a manutenção desse cenário, somado à possibilidade de preços menores para a carne bovina, pode melhorar o consumo doméstico.

    Ao produtor, devemos ter mais um ano desafiador adiante e procurar estar sempre um passo à frente é fundamental. 

    Referências
    Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, USDA (sigla em inglês)