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    Colhedoras de cana duas linhas: mais produção e menos custos – Parte 1

    Máquina reduz as perdas totais e a compactação dos solos em 60%, além de proporcionar ganhos em rendimento de colheita e economia de diesel
    Natália Cherubin, RPAnews
    Colhedoras de cana duas linhas: mais produção e menos custos – Parte 1
    Colhedoras de cana duas linhas: mais produção e menos custos – Parte 1

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    Cana-de-Açúcar

    Colhedora De Cana

    Tecnologia

    A colheita mecanizada de cana-de-açúcar passou por algumas evoluções ao longo dos últimos 20 anos. No entanto, a mais recente – e importante – foi o desenvolvimento da colhedora de cana de duas linhas com sistema de cortes de base independentes.

    Embora ainda pouco adotada pela grande maioria do setor, a máquina, de acordo com especialistas e usuários, vem proporcionando melhoras significativas à operação, aumentando rendimento diário da colheita e reduzindo em até 60% a compactação do solo e as perdas totais – fatores apontados como gargalos das máquinas que colhem apenas uma linha.

    EVOLUÇÃO
    A tecnologia de colheita 100% mecanizada de cana-de-açúcar surgiu no início dos anos 1970 e deslanchou no fim da década de 1990, mas foi se consolidar mesmo a partir de 2000, quando o setor sucroenergético brasileiro saltou de menos de 20% para mais de 90% da sua área colhida mecanicamente – dado que chega hoje a mais de 98% na região Centro-Sul canavieira.

    Ao longo dos anos, as máquinas passaram por muitas evoluções.  No entanto, de acordo com o especialista em manutenção automotiva e colheita de cana, Dário Sodré, da D2G Consultoria, ao analisar o período de pico da mecanização da colheita da cana picada no Brasil, observa-se que as inovações não vieram dos sistemas mecânicos ou hidráulicos principais das máquinas e, sim, da eletrônica e sistemas de georreferenciamento, além das tecnologias de dados.

    Única máquina de duas linhas em comercialização, a CH950 foi lançada em 2020 (Divulgação/Atvos)

    “Provavelmente, porque o tamanho do mercado mundial de colhedoras de cana, ao redor de 1.200 máquinas ano, tenha poucos fabricantes e com um nível de pesquisa ainda baixo em comparação, por exemplo, aos equipamentos de grãos”, afirma.

    A única máquina de duas linhas disponível hoje no mercado é a CH950, da John Deere, lançada em 2020. De acordo com Sodré, a tecnologia vem se fixando como opção para colheita de duas ruas.

    INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS  
    O projeto da máquina de duas linhas da John Deere, a CH950, começou há anos e ao longo do tempo foi sendo aperfeiçoado para o seu lançamento em 2020.

    Segundo Felipe Dias, gerente de Produto Colhedoras de Cana da John Deere Brasil, o conceito é colher duas linhas simultaneamente na mesma velocidade das máquinas de uma linha, promovendo redução do custo de colheita, da compactação e aumentando a produtividade e longevidade do canavial.

    “A CH950 é totalmente diferente do que já havia no mercado. O sistema RowAdapt™, que possui os dois cortes de bases independentes, permite que ela colha duas linhas de cana na mesma velocidade da máquina de uma linha, o que reduz mão de obra e consumo de combustível na frente de colheita, com o diferencial de que esse sistema reduz drasticamente as perdas, tanto no corte de base como também no extrator primário”, adiciona Maria Renata Fregonezi Gonçalves, especialista tática do mercado de Cana-de-Açúcar da John Deere.

    ECONOMIA
    Segundo os especialistas da fabricante, a máquina proporciona uma redução de consumo de combustível em torno de 30% na frente de colheita, considerando a economia nas máquinas (consome menos que duas máquinas de uma linha) e nos tratores transbordos, que serão carregados com a metade do tempo (comparado à máquina de uma linha), tornando-os mais eficientes e capazes de fazer mais ciclos no dia.
    Maria Renata explica que o fato de trabalhar colhendo duas linhas na mesma velocidade da colhedora de uma linha, oferece também a redução de mão de obra necessária na frente de colheita em até 36%.

    “Considerando as porcentagens de reduções citadas, ligadas à mão de obra e combustível, somadas à redução de até 60% de perdas totais, ela consegue proporcionar uma redução de aproximadamente 22% no custo por tonelada”, destaca.

    A especialista ainda destaca que os tratores e transbordos seguem o mesmo rastro, diferente do que acontece na colheita com a máquina de uma linha, onde o trator, mesmo tendo bitola de três metros, passa compactando duas vezes em cada entrelinha, pois precisam seguir o mesmo rastro da colhedora.
    Na opinião de Sodré, a redução de perdas nas colhedoras mais modernas não se concretizou simplesmente pela utilização dos cortes de base independentes das máquinas de duas linhas, mas também pela tecnologia utilizada principalmente no sistema de corte e limpeza, buscando um equilíbrio entre as perdas e a limpeza da cana – qualidade da matéria-prima.

    GANHOS
    Os maiores ganhos da colheita com máquinas de duas linhas, para o consultor, são a redução da compactação do solo, devido ao tráfego controlado utilizado nessas máquinas; a redução do consumo de combustível; a redução do CRM relativo das colhedoras; e o melhor TCO (Custo Operacional), se comparadas com a colhedora de uma linha.

    “Quanto a redução do CRM e do TCO, ainda não temos nada conclusivo, pois essas máquinas ainda não completaram um ciclo de vida. Entretanto, uma grande proposta, que é a redução do consumo de diesel, está ocorrendo, mas ainda de uma maneira tímida” observa o especialista.

    O grande desafio do setor, de acordo com ele, é consumir nas operações de CT (Corte e Transbordo) 1,0 litro por tonelada, inclusive, algumas usinas já estão muito próximas desse número, atingindo um patamar médio ao redor de 1,45 litros/t de cana.

    A colhedora de cana de  duas linhas  CH950  da John Deere em ação no campo  (Divulgação/Atvos)

    As máquinas de duas linhas têm feito um consumo de 0,76 litros/t, somente nas colhedoras, mais 0,40 litros/t nos transbordos. “Temos que melhorar muito ainda essa correlação, visto que os motores de colhedoras, no regime de operação que trabalham, consomem ao redor de 0,09 a 0,11 litros para cada cv produzido e a capacidade de colheita por hora da máquina está diretamente relacionada ao número de linhas, espaçamento de plantio, produtividade agrícola do canavial e velocidade de deslocamento. Os motores das colhedoras de duas linhas giram na faixa de 460 a 490 cv”, afirma Sodré.

    MANUTENÇÃO
    Com relação a manutenção, diversos componentes da máquina de duas linhas foram melhorados e atualizados para que durem o dobro da vida útil dos componentes atuais, tais como o sistema da esteira, elevador e reduções finais.

    “O motor, de 13,6 L, trabalha no máximo a 72% da potência total que tem disponível, ou seja, trabalha com folga”, complementa o gerente de Produto.
    Para a melhor performance, é preciso se atentar a dois pontos principais: sistematização e colheitabilidade. De acordo com a especialista da John Deere, é importante evitar “matações” nas linhas de sulcação do canavial e tiros longos sem carreadores de acesso que facilitem a logística.

    “A máquina deve colher posicionada nas linhas gêmeas, ou seja, onde foi o rastro do trator de plantio, para evitar que haja variação de distância entre as linhas que estão sendo colhidas. E um fator muito importante é que o dimensionamento de logística seja ideal, com malhadores bem-posicionados e números de tratores transbordos suficientes para que a operação não pare por falta deles. Esses fatores geram uma redução muito grande de performance da máquina”, afirma Maria Renata.