A evolução da agricultura sustentável no Brasil

Entendendo como o país cresceu no campo e pode se desenvolver ainda mais e de forma sustentável

Sustentabilidade

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Até 1975, o Brasil dependia de importar cerca de 1/3 do que consumia. A população rural, nessa época, era igual à urbana e, mesmo assim, o meio rural brasileiro não conseguia abastecer a população das cidades. Praticávamos, até aquela época, uma incipiente agricultura que já tinha ocupado todas as terras férteis brasileiras, as chamadas terras-roxas de São Paulo (oeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e, mesmo com as tentativas de cultivar as terras médias do Sul de Minas e de parte de Goiás, não conseguíamos atender à nossa necessidade total de alimentos.

Desde 1968, quando houve um relativo desequilíbrio no Hemisfério Norte Temperado, que alimentou suficientemente toda a humanidade por cerca de quatro mil anos, a seca prolongada nestas regiões provocou um aumento explosivo no preço dos alimentos do mundo inteiro. Isso porque os Estados Unidos da América do Norte, que haviam dominado quase individualmente o abastecimento mundial, deram sinal de que estavam com os seus estoques praticamente esgotados, tendo, inclusive, que realizar o primeiro embargo não político na exportação de seus alimentos. Em seus armazéns e silos, havia alimento para o povo americano somente para mais 6 meses, tempo suficiente para plantar e colher a nova safra. 

PREVISÃO DE MALTHUS
Era a previsão Malthusiana (Thomas Robert Malthus defendeu, em 1798, que a população cresceria em ritmo acelerado, superando a oferta de alimentos, o que resultaria em problemas como a fome e a miséria) acontecendo como uma verdadeira bomba. O mundo estava à beira de um abismo provocado pela insegurança alimentar. Todo o hemisfério tropical não tinha conhecimento, nem ciência e nem tecnologia para produzir adequadamente o alimento que necessitava. O Brasil era apenas mais um dependente da importação de alimentos.

Em 1973, os árabes criaram a OPEP e, com ela, manejaram inteligentemente a oferta do petróleo, escasso àquela época. Em uma semana, o preço do barril subiu de 2,5 a 3 dólares para 11 dólares. E continuava a subir indefinidamente, sacrificando a maioria dos países tropicais pobres que ainda dependiam de alimentos caros. As balanças comerciais desses países importadores não permitiriam que eles tivessem recursos para continuar a comprar estes dois fatores escassos nem por cinco anos mais.

BRASIL ENTRA NO JOGO
O Brasil era um deles, fator agravado ainda pela fragilidade de seu processo industrial, considerado, à época, obsoleto e não competitivo. A única solução para o maior país da América do Sul era tentar desenvolver a sua produção agrícola mesmo em áreas tropicais. Verificou-se, então, que não existia no mundo nenhum conhecimento sobre o tema. Portanto, a tecnologia só poderia ser desenvolvida aqui. 

Foi uma decisão estratégica que levou o governo a usar a ciência, a tecnologia e a inovação, racionalizando os seus instrumentos de pesquisa e integrando-os num só esforço para que fosse possível a utilização de toda a competência de pesquisadores no Brasil (EMBRAPA, universidades, instituições estaduais de pesquisa e a iniciativa privada) que, somados, criaram um corpo competente para iniciar as primeiras inovações. Além disso, contratou novos mil profissionais, sendo 52 com pós-graduação, recém-saídos de nossas universidades. Os outros 950, 462 deles saídos das instituições estaduais de pesquisa, e mais 100 professores de nossas universidades agrícolas, foram privilegiados com uma régia bolsa de estudos e mandados para os melhores e maiores centros internacionais de ciência. Embarcaram com uma definição básica bem clara: “lá, os senhores conhecerão a ciência no mais alto grau que existe no mundo de hoje, mas a tecnologia e a inovação terão que ser desenvolvidas aqui no bioma tropical brasileiro”. 

Por outro lado, o governo autorizou a criação da EMBRATER, que deveria ficar responsável pela seleção das inovações possíveis para o trópico brasileiro. Também teria a responsabilidade de transferir esta inovação, com assistência técnica, crédito adequado e apoio da extensão rural ao agricultor e sua família, levando a eles o desejo de procederem as mudanças que seriam necessárias. 

PRODUÇÃO VERDE E AMARELA
No meio destas duas lanças (EMBRAPA E EMBRATER) se criou um instrumento de política pública (para o Cerrado brasileiro chamou-se de POLOCENTRO), que continha todos os instrumentos de crédito, assistência técnica e a possibilidade de aquisição de insumos modernos, máquinas, equipamentos e a infraestrutura necessária para encorajar a execução das mudanças devidas. Deu certo. O Brasil começou a mudar. Aquela agricultura incipiente, de subsistência, sem conhecimento próprio, foi sendo deixada para trás. Em seu lugar surgia, pela primeira vez na região tropical do globo e com a recuperação do Cerrado, a primeira área realmente produtiva, competitiva, que começou a assustar até os seus próprios realizadores. A partir dali, o Brasil começava a ser autossuficiente na demanda alimentar e iniciava uma nova jornada para a conquista do mercado internacional, se tornando, hoje, um dos maiores players para garantir a segurança alimentar dos povos dependentes.

A evolução no processo produtivo brasileiro tem sido permanente e constante. Estamos demonstrando que sabemos aproveitar as nossas vantagens comparativas. O hemisfério temperado, que dominou a produção de alimentos por 4 mil anos, incialmente apresentava alguma vantagem comparativa com a impossibilidade do uso dos seus recursos naturais limitados pelo clima, que congelava suas terras em média por 6 meses e lhes dava uma única janela de plantio de apenas 12 dias, impedindo o uso permanente de seus recursos naturais.  A primeira vantagem que notamos no clima tropical é que a terra tem calor, luz, sol e água nos 12 meses do ano, portanto, permanente. Isso nos permite, como já comprovamos, produzir até três safras no ano ou então realizar, durante todo o ano, a integração de várias culturas (grãos, fibras, oleaginosas e tantas outras), além do pasto e da floresta, numa tecnologia inovadora que só é possível aqui, onde fazemos tudo isto no mesmo solo, com o mesmo homem, com a mesma gente e com resultados tri ou quadruplicados.  

PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL
Estas inovações colocam o Brasil em absoluta vantagem na produção de alimentos e, como se comprovou, somos capazes não só de fazer isto, mas também de forma altamente sustentável. Inclusive, partimos na primeira jornada com a recuperação do nosso bioma Cerrado, que é, comprovadamente por mais de muitos milênios, o bioma mais degradado que o mundo já viu, aqui, na África e na Ásia. No Brasil, ele se transformou na mais produtiva e competitiva área que o planeta conhece hoje. Temos ainda cinco outros biomas tropicais que, como o Cerrado, guardam a potencialidade para que a inteligência brasileira os sustente e ainda produzam. A concomitante evolução no processo digital no mundo nos dá a certeza das evoluções que já estamos realizando no nosso país, tanto na área de genética, sementes, insumos, máquinas, transporte, armazenamento, embalagens e todos os serviços dos quais dependemos. 

Essa verdadeira revolução digital começa a nos animar, pois a informática já entrou no processo produtivo brasileiro, dando a ele um novo conceito tanto na qualidade e preço quanto na constância da oferta. Tudo isso só melhora a posição brasileira no mercado internacional, onde já se reconhece que, além de determos um processo produtivo altamente sustentável, também estamos melhorando pelas vantagens comparativas do clima e pela nossa biologia, ciência gêmea da informação. 

Este é um novo capítulo que iremos começar a escrever agora. As ciências química, física, mecânica e de comunicação se desenvolvem igualmente em todo o mundo, mas a biologia ou a bioeconomia, o clima e os recursos naturais das regiões tropicais são muito mais vantajosos para esta evolução. Não podemos parar aqui. O exemplo da década de 1970 ainda soa em nossos ouvidos. Nossa juventude é ainda melhor do que aquela que iniciou esse processo. Temos que dar a ela a oportunidade que, por sua força, competência, informação, entusiasmo e fé, poderá manter esta evolução brasileira à frente de qualquer outra região do mundo e mostrar que a sustentabilidade estará garantida e transferida às gerações futuras.

SEGURANÇA ALIMENTAR
Depois que as advertências de Malthus e sua equipe se confirmaram, o mundo passou a dar muito mais valor à segurança alimentar na oferta dos produtos que consumimos. Hoje, não se pode mais admitir que o cidadão que forma a sua família e tem a sua renda garantida e suas condições e facilidades sempre melhoradas, amanhã seja surpreendido novamente como aconteceu na década 1960, com o mundo sendo incapaz de ofertar a quantidade necessária de alimentos que evite a fome, a miséria, os atritos e as guerras que sempre abalaram a humanidade. 

Alimento é paz, é segurança, é tranquilidade. Na falta dele, os problemas aparecem, quase sempre sem soluções. “Casa onde falta pão, todo mundo chora, grita, briga e ninguém tem razão”, ensina o provérbio. É por isso que as organizações internacionais estão preocupadas para que o mundo não seja pego de surpresa por deficiência alimentar. Já advertiram o Brasil que o tradicional mundo temperado não conseguirá aumentar, até 2050, em mais de 20% a atual oferta. Ainda teremos um relativo equilíbrio populacional na terra e, até lá, os 7,5 bilhões de pessoas hoje existentes se tornarão, no mínimo, 9,7 bilhões de habitantes no mundo. E os novos 2,2 bilhões a serem acrescentados, pelo que demonstra a evolução da economia dos países superpopulosos, terão muito mais renda e irão querer se alimentar melhor. 

MAIOR OFERTA
Advertem estas lideranças mundiais que deverá haver um aumento de oferta de, no mínimo, 61% a mais do que hoje ofertamos, e que o Brasil tem que garantir, nestes próximos 30 anos, o acréscimo de 2/3 da oferta de hoje. Felizmente temos a certeza de que, com a tecnologia já existente aqui e os recursos naturais que ainda possuímos, não haverá necessidade de que o Brasil aumente um hectare sequer e nem tampouco necessite derrubar uma só árvore para ampliar a sua área de produção de alimentos. Especialmente agora, após essa terrível pandemia que assolou o mundo, o consumidor, além da segurança na quantidade de alimentos, quer ter a garantia da segurança da qualidade do alimento que consumirá de agora em diante. 

Especialmente os países ricos, que podem pagar preços mais compensadores aos alimentos, desejam que esses sejam cada vez mais naturais e nutritivos, sem o risco de contaminações químicas ou biológicas que possam trazer outras complicações de saúde. Nesta área, também a informática será um instrumento seguro ao produtor e ao consumidor, pois o alimento poderá ser rastreado do campo ao prato do novo e exigente consumidor. Esta rastreabilidade passa a ser agora uma nova exigência em países que comprovadamente já realizam com segurança a sustentabilidade dos recursos naturais que usam. Este instrumento será uma real segurança alimentar a todos os povos exigentes.

EQUILÍBRIO SUSTENTÁVEL
Esta sustentabilidade, insistentemente referida e exigida por todo consumidor evoluído, não pode ser esperada se não houver um equilíbrio que permita aos sistemas econômicos compatibilizar de forma igualitária as chances a todo cidadão que deseja ter uma convivência harmônica e pacífica na sociedade em que vive. Isto significa que a remuneração pelo trabalho inteligente e eficaz tem que ser reconhecida em toda economia de estado que queira dar verdadeira oportunidade à população. Isto significa também que, havendo renda nas atividades básicas, cada cidadão que teve oportunidade terá as melhores condições sociais sem injustiças e descontroles que tornem as famílias mais próximas e humanizadas. 

Para que isso possa acontecer de forma permanente, a segurança ambiental tem que ser resguardada de forma equilibrada a fim de permitir a todos os povos a preservação de seus recursos naturais e dos seus ambientes e ecossistemas equilibrados. O importante é que cada geração tenha a consciência de entregar aos seus sucessores os recursos naturais que recebeu de forma melhorada e preservada. Esta é uma sociedade que poderá gabar-se de ser verdadeiramente democrática e em paz.

Até 1975, o Brasil dependia de importar cerca de 1/3 do que consumia. A população rural, nessa época, era igual à urbana e, mesmo assim, o meio rural brasileiro não conseguia abastecer a população das cidades. Praticávamos, até aquela época, uma incipiente agricultura que já tinha ocupado todas as terras férteis brasileiras, as chamadas terras-roxas de São Paulo (oeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e, mesmo com as tentativas de cultivar as terras médias do Sul de Minas e de parte de Goiás, não conseguíamos atender à nossa necessidade total de alimentos.

Desde 1968, quando houve um relativo desequilíbrio no Hemisfério Norte Temperado, que alimentou suficientemente toda a humanidade por cerca de quatro mil anos, a seca prolongada nestas regiões provocou um aumento explosivo no preço dos alimentos do mundo inteiro. Isso porque os Estados Unidos da América do Norte, que haviam dominado quase individualmente o abastecimento mundial, deram sinal de que estavam com os seus estoques praticamente esgotados, tendo, inclusive, que realizar o primeiro embargo não político na exportação de seus alimentos. Em seus armazéns e silos, havia alimento para o povo americano somente para mais 6 meses, tempo suficiente para plantar e colher a nova safra. 

PREVISÃO DE MALTHUS
Era a previsão Malthusiana (Thomas Robert Malthus defendeu, em 1798, que a população cresceria em ritmo acelerado, superando a oferta de alimentos, o que resultaria em problemas como a fome e a miséria) acontecendo como uma verdadeira bomba. O mundo estava à beira de um abismo provocado pela insegurança alimentar. Todo o hemisfério tropical não tinha conhecimento, nem ciência e nem tecnologia para produzir adequadamente o alimento que necessitava. O Brasil era apenas mais um dependente da importação de alimentos.

Em 1973, os árabes criaram a OPEP e, com ela, manejaram inteligentemente a oferta do petróleo, escasso àquela época. Em uma semana, o preço do barril subiu de 2,5 a 3 dólares para 11 dólares. E continuava a subir indefinidamente, sacrificando a maioria dos países tropicais pobres que ainda dependiam de alimentos caros. As balanças comerciais desses países importadores não permitiriam que eles tivessem recursos para continuar a comprar estes dois fatores escassos nem por cinco anos mais.

BRASIL ENTRA NO JOGO
O Brasil era um deles, fator agravado ainda pela fragilidade de seu processo industrial, considerado, à época, obsoleto e não competitivo. A única solução para o maior país da América do Sul era tentar desenvolver a sua produção agrícola mesmo em áreas tropicais. Verificou-se, então, que não existia no mundo nenhum conhecimento sobre o tema. Portanto, a tecnologia só poderia ser desenvolvida aqui. 

Foi uma decisão estratégica que levou o governo a usar a ciência, a tecnologia e a inovação, racionalizando os seus instrumentos de pesquisa e integrando-os num só esforço para que fosse possível a utilização de toda a competência de pesquisadores no Brasil (EMBRAPA, universidades, instituições estaduais de pesquisa e a iniciativa privada) que, somados, criaram um corpo competente para iniciar as primeiras inovações. Além disso, contratou novos mil profissionais, sendo 52 com pós-graduação, recém-saídos de nossas universidades. Os outros 950, 462 deles saídos das instituições estaduais de pesquisa, e mais 100 professores de nossas universidades agrícolas, foram privilegiados com uma régia bolsa de estudos e mandados para os melhores e maiores centros internacionais de ciência. Embarcaram com uma definição básica bem clara: “lá, os senhores conhecerão a ciência no mais alto grau que existe no mundo de hoje, mas a tecnologia e a inovação terão que ser desenvolvidas aqui no bioma tropical brasileiro”. 

Por outro lado, o governo autorizou a criação da EMBRATER, que deveria ficar responsável pela seleção das inovações possíveis para o trópico brasileiro. Também teria a responsabilidade de transferir esta inovação, com assistência técnica, crédito adequado e apoio da extensão rural ao agricultor e sua família, levando a eles o desejo de procederem as mudanças que seriam necessárias. 

PRODUÇÃO VERDE E AMARELA
No meio destas duas lanças (EMBRAPA E EMBRATER) se criou um instrumento de política pública (para o Cerrado brasileiro chamou-se de POLOCENTRO), que continha todos os instrumentos de crédito, assistência técnica e a possibilidade de aquisição de insumos modernos, máquinas, equipamentos e a infraestrutura necessária para encorajar a execução das mudanças devidas. Deu certo. O Brasil começou a mudar. Aquela agricultura incipiente, de subsistência, sem conhecimento próprio, foi sendo deixada para trás. Em seu lugar surgia, pela primeira vez na região tropical do globo e com a recuperação do Cerrado, a primeira área realmente produtiva, competitiva, que começou a assustar até os seus próprios realizadores. A partir dali, o Brasil começava a ser autossuficiente na demanda alimentar e iniciava uma nova jornada para a conquista do mercado internacional, se tornando, hoje, um dos maiores players para garantir a segurança alimentar dos povos dependentes.

A evolução no processo produtivo brasileiro tem sido permanente e constante. Estamos demonstrando que sabemos aproveitar as nossas vantagens comparativas. O hemisfério temperado, que dominou a produção de alimentos por 4 mil anos, incialmente apresentava alguma vantagem comparativa com a impossibilidade do uso dos seus recursos naturais limitados pelo clima, que congelava suas terras em média por 6 meses e lhes dava uma única janela de plantio de apenas 12 dias, impedindo o uso permanente de seus recursos naturais.  A primeira vantagem que notamos no clima tropical é que a terra tem calor, luz, sol e água nos 12 meses do ano, portanto, permanente. Isso nos permite, como já comprovamos, produzir até três safras no ano ou então realizar, durante todo o ano, a integração de várias culturas (grãos, fibras, oleaginosas e tantas outras), além do pasto e da floresta, numa tecnologia inovadora que só é possível aqui, onde fazemos tudo isto no mesmo solo, com o mesmo homem, com a mesma gente e com resultados tri ou quadruplicados.  

PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL
Estas inovações colocam o Brasil em absoluta vantagem na produção de alimentos e, como se comprovou, somos capazes não só de fazer isto, mas também de forma altamente sustentável. Inclusive, partimos na primeira jornada com a recuperação do nosso bioma Cerrado, que é, comprovadamente por mais de muitos milênios, o bioma mais degradado que o mundo já viu, aqui, na África e na Ásia. No Brasil, ele se transformou na mais produtiva e competitiva área que o planeta conhece hoje. Temos ainda cinco outros biomas tropicais que, como o Cerrado, guardam a potencialidade para que a inteligência brasileira os sustente e ainda produzam. A concomitante evolução no processo digital no mundo nos dá a certeza das evoluções que já estamos realizando no nosso país, tanto na área de genética, sementes, insumos, máquinas, transporte, armazenamento, embalagens e todos os serviços dos quais dependemos. 

Essa verdadeira revolução digital começa a nos animar, pois a informática já entrou no processo produtivo brasileiro, dando a ele um novo conceito tanto na qualidade e preço quanto na constância da oferta. Tudo isso só melhora a posição brasileira no mercado internacional, onde já se reconhece que, além de determos um processo produtivo altamente sustentável, também estamos melhorando pelas vantagens comparativas do clima e pela nossa biologia, ciência gêmea da informação. 

Este é um novo capítulo que iremos começar a escrever agora. As ciências química, física, mecânica e de comunicação se desenvolvem igualmente em todo o mundo, mas a biologia ou a bioeconomia, o clima e os recursos naturais das regiões tropicais são muito mais vantajosos para esta evolução. Não podemos parar aqui. O exemplo da década de 1970 ainda soa em nossos ouvidos. Nossa juventude é ainda melhor do que aquela que iniciou esse processo. Temos que dar a ela a oportunidade que, por sua força, competência, informação, entusiasmo e fé, poderá manter esta evolução brasileira à frente de qualquer outra região do mundo e mostrar que a sustentabilidade estará garantida e transferida às gerações futuras.

SEGURANÇA ALIMENTAR
Depois que as advertências de Malthus e sua equipe se confirmaram, o mundo passou a dar muito mais valor à segurança alimentar na oferta dos produtos que consumimos. Hoje, não se pode mais admitir que o cidadão que forma a sua família e tem a sua renda garantida e suas condições e facilidades sempre melhoradas, amanhã seja surpreendido novamente como aconteceu na década 1960, com o mundo sendo incapaz de ofertar a quantidade necessária de alimentos que evite a fome, a miséria, os atritos e as guerras que sempre abalaram a humanidade. 

Alimento é paz, é segurança, é tranquilidade. Na falta dele, os problemas aparecem, quase sempre sem soluções. “Casa onde falta pão, todo mundo chora, grita, briga e ninguém tem razão”, ensina o provérbio. É por isso que as organizações internacionais estão preocupadas para que o mundo não seja pego de surpresa por deficiência alimentar. Já advertiram o Brasil que o tradicional mundo temperado não conseguirá aumentar, até 2050, em mais de 20% a atual oferta. Ainda teremos um relativo equilíbrio populacional na terra e, até lá, os 7,5 bilhões de pessoas hoje existentes se tornarão, no mínimo, 9,7 bilhões de habitantes no mundo. E os novos 2,2 bilhões a serem acrescentados, pelo que demonstra a evolução da economia dos países superpopulosos, terão muito mais renda e irão querer se alimentar melhor. 

MAIOR OFERTA
Advertem estas lideranças mundiais que deverá haver um aumento de oferta de, no mínimo, 61% a mais do que hoje ofertamos, e que o Brasil tem que garantir, nestes próximos 30 anos, o acréscimo de 2/3 da oferta de hoje. Felizmente temos a certeza de que, com a tecnologia já existente aqui e os recursos naturais que ainda possuímos, não haverá necessidade de que o Brasil aumente um hectare sequer e nem tampouco necessite derrubar uma só árvore para ampliar a sua área de produção de alimentos. Especialmente agora, após essa terrível pandemia que assolou o mundo, o consumidor, além da segurança na quantidade de alimentos, quer ter a garantia da segurança da qualidade do alimento que consumirá de agora em diante. 

Especialmente os países ricos, que podem pagar preços mais compensadores aos alimentos, desejam que esses sejam cada vez mais naturais e nutritivos, sem o risco de contaminações químicas ou biológicas que possam trazer outras complicações de saúde. Nesta área, também a informática será um instrumento seguro ao produtor e ao consumidor, pois o alimento poderá ser rastreado do campo ao prato do novo e exigente consumidor. Esta rastreabilidade passa a ser agora uma nova exigência em países que comprovadamente já realizam com segurança a sustentabilidade dos recursos naturais que usam. Este instrumento será uma real segurança alimentar a todos os povos exigentes.

EQUILÍBRIO SUSTENTÁVEL
Esta sustentabilidade, insistentemente referida e exigida por todo consumidor evoluído, não pode ser esperada se não houver um equilíbrio que permita aos sistemas econômicos compatibilizar de forma igualitária as chances a todo cidadão que deseja ter uma convivência harmônica e pacífica na sociedade em que vive. Isto significa que a remuneração pelo trabalho inteligente e eficaz tem que ser reconhecida em toda economia de estado que queira dar verdadeira oportunidade à população. Isto significa também que, havendo renda nas atividades básicas, cada cidadão que teve oportunidade terá as melhores condições sociais sem injustiças e descontroles que tornem as famílias mais próximas e humanizadas. 

Para que isso possa acontecer de forma permanente, a segurança ambiental tem que ser resguardada de forma equilibrada a fim de permitir a todos os povos a preservação de seus recursos naturais e dos seus ambientes e ecossistemas equilibrados. O importante é que cada geração tenha a consciência de entregar aos seus sucessores os recursos naturais que recebeu de forma melhorada e preservada. Esta é uma sociedade que poderá gabar-se de ser verdadeiramente democrática e em paz.
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