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    A expansão da silvicultura no Brasil

    IBGE aponta que a área de florestas plantadas no Brasil totalizou, em 2020, 9,3 milhões de hectares e expectativa é de crescimento no setor
    Rafael De Marco
    A expansão da silvicultura no Brasil
    A expansão da silvicultura no Brasil

    Tags:

    Sustentabilidade

    Carbono

    Florestal

    Você sabia que o desenvolvimento da silvicultura no Brasil está ligado ao ferro?

    Tudo começou no século 19 e cresceu junto com as estradas de ferro que atravessam o país. Com o fortalecimento da cafeicultura, que impulsionava a economia brasileira à época, vieram as ferrovias que, por sua vez, necessitavam de mourões de madeira resistente para sustentar os trilhos de ferro e carvão para fazer funcionar os maquinários. 

    EUCALIPTO
    Foi quando o engenheiro agrônomo Edmundo Navarro de Andrade recebeu da Companhia Paulista de Estradas de Ferro a missão de encontrar qualidades de árvores que atendessem bem a estes fins. A escolhida foi o Eucalipto, espécie natural da Austrália, com mais de 500 variedades.

    O clima dos trópicos propiciou o cenário ideal para o setor prosperar, com incidência de luz solar muito superior a outras regiões e muita água também.

    PERTO DOS 10 MILHÕES
    Hoje, a área estimada de florestas plantadas no Brasil totalizou, em 2020, 9,3 milhões de hectares, dos quais 70,6% concentrados nas regiões Sul e Sudeste. As áreas com cobertura de eucalipto corresponderam a 80,2% da silvicultura para fins comerciais no país.

    A expansão da silvicultura no Brasil 1
    Florestas preservam nutrientes no solo e fazem o sequestro de CO2

     Enquanto 44,3% das áreas de eucalipto concentraram-se na Região Sudeste, no Sul observou-se predominância de florestas de pinus, correspondentes a 84,6% do total. Os dados são da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (Pevs 2020), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    SETOR FORTE
    Em 2020, o estudo identificou registro de produção primária florestal em 4.868 municípios, que, juntos, somam R$ 23,6 bilhões em valor de produção, o que representou crescimento de 17,9% em relação a 2019. Esse resultado reflete a recuperação do setor, que, em 2019, recuou 2,7%, interrompendo uma série de três anos de crescimento.

    Segundo o IBGE, a silvicultura ampliou sua participação no valor da produção primária florestal (79,8%) frente ao extrativismo vegetal (coleta de produtos em matas e florestas nativas), que passou a responder por 20,2% desse total. A participação dos produtos madeireiros segue preponderante no setor da silvicultura, representando 90,1% do valor da produção florestal.

    SEQUESTRO DE CARBONO
    Tão importante quanto o desenvolvimento econômico, a silvicultura faz a diferença na preservação do meio ambiente. 
    Do plantio à extração, as árvores cultivadas passam anos prestando serviços ambientais, mantendo nutrientes no solo, ajudando no ciclo das chuvas e fazendo sequestro de CO2. No Brasil, os mais de 9 milhões de hectares absorvem anualmente da atmosfera um número superior a 1,88 bilhão de toneladas de CO2eq – medida que expressa a quantidade de gases de efeito estufa em termos equivalentes da quantidade de dióxido de carbono.

    PRESERVAÇÃO
    A silvicultura é, naturalmente, positiva para o meio ambiente, mas o segmento vai além e é também um exemplo de conservação. Preservava, em 2019, 5,9 milhões de hectares de áreas naturais na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal (RL) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e era ainda responsável pela recuperação de 32,7 mil hectares contemplados em programas de restauração de áreas degradadas.

    Assim, para cada hectare de florestas plantadas, conservava-se aproximadamente 0,7 hectare de área natural no país, panorama que, apesar da falta de dados atualizados, o setor trabalha para manter e tentar ampliar.
     
    Como boa parte da produção oriunda desta agroindústria é destinada a grandes empresas e exportação, o setor aprendeu cedo a seguir padrões rígidos de controle ambiental. Em 2019, de acordo com a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), associação responsável pela representação institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas, 7,4 milhões de hectares deste cultivo possuía certificação independente na modalidade manejo florestal, garantindo a sustentabilidade e as boas práticas.

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    Investimentos no setor da silvicultura devem atingir a casa dos  R$ 35,6 bilhões até 2023

    OLHAR PARA O FUTURO
    Segundo a Ibá, até 2023 há investimentos anunciados ou em andamento para o setor na ordem de R$ 35,6 bilhões, destinados para florestas, novas fábricas, expansões, tecnologia e ciência. 

    Esse investimento é praticamente o dobro do registrado nos quatro anos anteriores, entre 2016 e 2019, quando foram realizados investimentos de R$ 18,0 bilhões para a construção de diversas novas unidades.