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    Brasil já é uma potência agroambiental

    Quem afirma é Gustavo Spadotti, engenheiro-agrônomo e chefe-geral da Embrapa Territorial Sustentabilidade, que debateu o tema em Congresso da Andav
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    “O Brasil será uma potência agroambiental no futuro?”. Esse foi o questionamento de Gustavo Spadotti, engenheiro-agrônomo e chefe-geral da Embrapa Territorial, ao iniciar sua palestra na plenária do segundo dia do 11º Congresso da Andav, em São Paulo (SP). “Não só irá, como já somos”, respondeu o palestrante. Spadotti apresentou dados que apoiam o seu entendimento de que o País conseguiu criar um modelo de agricultura sustentável e competitivo. 

    Os trabalhos de inteligência e gestão territorial da Embrapa revelaram a dimensão territorial das áreas brasileiras protegidas e dedicadas à preservação. Atualmente, o País conta com 1.871 unidades de conservação e 600 terras indígenas. Essas terras protegidas pelo Estado englobam 258 milhões de hectares, ou 30,3% do território nacional. 

    Somadas às áreas destinadas à preservação dentro dos mais de seis milhões de imóveis rurais - cálculo possibilitado pelo advento dos dados georreferenciados do Cadastro Ambiental Rural brasileiro (CAR) e do Censo Agropecuário de 2017 -, a dimensão territorial cresce para mais de 282 milhões de hectares, ou 33,3% das terras brasileiras. 

    PRESERVAÇÃO TAMBÉM NAS FAZENDAS
    Spadotti enfatizou que o imenso patrimônio dedicado à vegetação nativa dentro da porteira também possui dimensões ambientais, sociais e econômicas. A manutenção da vegetação nativa dentro das fazendas, ele exemplificou, gera serviços ambientais importantes para o ecossistema local, como a movimentação da fauna e da flora (pela polinização). O engenheiro-agrônomo defendeu que é preciso dimensionar essas áreas para valorar o preço dessas ações do mundo rural e, a partir daí, valorizar o esforço dos produtores.
     
    ECONOMIA VERDE
    O tema da bioeconomia e da economia verde foi ao debate no painel seguinte. O pesquisador Marcelo Morandi (Embrapa Meio Ambiente) salientou que a transição do uso de uma matriz energética dependente de recursos não renováveis e fósseis para uma de matriz baseada em fontes mais sustentáveis é premente e reforçou que acordos ambientais provêm de uma demanda real. “Os eventos extremos já estão ocorrendo e uma grande parte ocorre em função de práticas antrópicas, ou seja, uso de carbono base fóssil. Então, os acordos internacionais estão vindo nesse propósito de conduzir a economia para esse viés”, disse.

    O pesquisador defendeu que o Brasil não é uma ilha e que o relacionamento com concorrentes é fundamental para o mercado de carbono nacional. “A agenda do futuro está sendo estruturada dentro desses acordos globais. Temos de aproveitar essa conjuntura para mostrar as nossas vantagens comparativas, competitivas e colaborativas. Não podemos nos isolar do mundo. Temos de fazer acordos com os nossos concorrentes; trocar tecnologias com eles. Isso é fundamental para o nosso desenvolvimento; seja em mercado de carbono, seja em mercado verde futuro”, disse.

    Ele destacou que a agricultura depende de um clima estável, proveniente do bom uso da natureza. “Isso nos garante que continuaremos em nossas terras produtivas sendo produtivos”, finalizou.