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    Ciência investe em energia sustentável

    Pesquisa conseguiu incorporar glicerina aos pellets (combustíveis sólidos à base de resíduos de biomassa vegetal) para potencializar a sua utilização na agroindústria brasileira
    Rafael De Marco
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    Sustentabilidade

    Pesquisa desenvolvida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp/Dracena), com participação da Embrapa Meio Ambiente (SP), conseguiu incorporar glicerina aos pellets para potencializar a sua utilização na agroindústria brasileira. Os pellets são combustíveis sólidos à base de resíduos de biomassa vegetal, como serragem, cavacos de madeira e bagaço de cana-de-açúcar, entre outros, usados para gerar energia elétrica e térmica em usinas, empresas e aquecimento residencial. Os modelos de agropellets, contendo glicerol, são mais densos e podem oferecer soluções mais sustentáveis para recuperar energia a partir de subprodutos do bioetanol e biodiesel, reduzindo a dependência de processamento de madeira e biomassa lenhosa para biocombustíveis sólidos tradicionais.

     

    O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Andre May explica que os pellets são como “cubinhos” de biomassa, produzidos a partir de resíduos vegetais, sobretudo de madeira, de grandes cadeias produtivas. Atualmente, a principal aplicação dos pellets de madeira no Brasil é na geração de energia térmica para as indústrias e o comércio, sendo utilizados por pizzarias, padarias, hotéis, parques aquáticos, academias de natação, estufas de pintura, indústrias alimentícias, lavanderias etc.

     

    ENERGIA SUSTENTÁVEL
    A utilização desses subprodutos já agrega sustentabilidade à produção energética. Com o estudo, que foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), os cientistas conseguiram aumentar a densidade de biomassa dos pellets, a partir da incorporação de glicerol à mistura de bagaço de cana-de-açúcar (etanol de primeira geração - 1G) e resíduo lignocelulósico (advindo da produção de etanol de segunda geração - 2G).

     

    O glicerol é um subproduto do biodiesel. Ele oferece um aditivo adequado à fabricação de sólidos combustíveis. No entanto, os estudos sobre estruturas de biomassa com glicerol para geração de energia ainda precisavam de mais experimentos e testes para desenvolver alternativas relacionadas a pellets não madeireiros, além de aumentar a compreensão sobre as relações entre matérias-primas, produtos e processos.

     

    “A pesquisa mostrou que é possível condensar energia de maior densidade aos pellets do que a biomassa original. Isso amplia a possibilidade de usos e mercados para esses produtos, como no transporte e estocagem de energia de forma mais segura”, diz May.

     

    GLICEROL E SUA IMPORTÂNCIA NA PELLETIZAÇÃO

    O glicerol é o subproduto mais significativo oriundo do biodiesel. A produção global desse biocombustível ultrapassa 46 milhões de metros cúbicos, o que é uma quantidade significativa, com tendência de aumento até 2050. Sua conversão para biocombustíveis e bioquímicos oferece à indústria de biodiesel soluções para equilibrar vantagens econômicas e desafios socioambientais.

     

    A utilização do glicerol tem aplicação direta como combustível e também como aditivo para combustível e alimentos. O glicerol combustível é altamente viscoso e produz uma quantidade significativa de cinzas, diminuindo o poder calorífico. Como resultado, limita a eficiência de conversão térmica dos fornos, caldeiras, motores e microturbinas.

     

    O método mais comum de integração de glicerol à biomassa é como aditivo para pellets passíveis de queima. A peletização oferece um bom custo-benefício para converter materiais inorgânicos e biogênicos de baixa qualidade em matérias-primas para combustíveis sólidos granulares e densos em energia, melhorando seu transporte, armazenamento e utilização.

     

    Com informações da Embrapa Meio Ambiente