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    Investimento para o uso sustentável de pastagens em degradação

    Embrapa e Banco Mundial promovem evento para construir um documento com indicações técnicas e recomendações para políticas e programas para recuperar essas áreas
    Rafael De Marco
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    Tags:

    Pasto

    Sustentabilidade

    Transformar pastagens em degradação em áreas em produtivas. E mais, sustentáveis. Esse é o objetivo da primeira oficina técnica organizada pela Embrapa e Banco Mundial para discutir as políticas públicas para otimização do uso sustentável desses espaços. Participaram, pesquisadores da Embrapa, representando os diferentes biomas e regiões, representantes de setores de produção do agro, especialistas de universidades, representantes do setor financeiro, de ministérios ligados ao tema, instituições ligadas à infraestrutura e meio ambiente.

     

    A partir das discussões e dos resultados apresentados pelos grupos de trabalho, será elaborado um documento técnico com recomendações para as políticas públicas e os programas voltados para a transformação dessas pastagens em degradação em áreas em produtivas.

     

    MAPA DAS PASTAGENS
    Segundo levantamento do Mapbiomas – iniciativa do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (rede colaborativa composta por organizações não-governamentais, empresas de tecnologia e universidades) –, a área de pastagens naturais e plantadas no Brasil equivale a cerca de 160 milhões de hectares e representa 45% da extensão total dos estabelecimentos agropecuários, com variação em termos de qualidade. Desse total, 58 milhões de hectares estão em boas condições, 66 milhões em qualidade intermediária e 35 milhões em degradação severa. Oito milhões de pastagens estão em áreas protegidas (unidades de conservação, áreas indígenas e militares).

     

    INVCENTIVO
    No anúncio do Plano Safra 2023/2024, o governo federal informou a redução de taxas de juros para os produtores rurais que incluírem em seus projetos a recuperação de áreas de pastagens degradadas.

     

    O Banco Mundial, parceiro do evento, anunciou que está no momento de repensar os objetivos da instituição, ampliando o foco de sua atuação de combate à pobreza para a sustentabilidade ambiental, onde o enfrentamento à pobreza também faz parte.

     

    RECUPERAÇÃO DE PASTAGENS E PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL

    O diretor de Pesquisa e Inovação da Embrapa, Clenio Pillon, disse que o futuro da agricultura brasileira deve ter como foco a redução da dependência de fertilizantes, investimentos em bioinsumos e a transição energética, de uma produção de energia fóssil para a bioenergia.

     

    Segundo ele, a recuperação de pastagens é uma agenda que se associa diretamente à pauta dos bioinsumos, na qual a Embrapa vem apresentando uma série de tecnologias, fortalecendo a convicção de que o futuro da agricultura é ser de base biológica. “A expectativa é que até 2050 os países aumentem em 70% a produção de alimentos e o Brasil será protagonista de quase metade desse esforço global. Por isso, o País precisa ampliar sua capacidade de produção, sem desmatar um hectare, um desafio imenso que passa por esse processo de restauração das áreas [abertas] que já existem”, afirmou.

     

    “Não adianta incorporamos áreas degradadas ao processo de produção se não garantirmos inclusão social das famílias que lá existem. Esse é um compromisso de uma Embrapa pública, plural onde o processo de recuperação de pastagens pode também promover fortemente acesso a mercado, a partir de formulação de boas políticas públicas”, anunciou o diretor.

     

    Investimento para o uso sustentável de pastagens em degradação 1
    Equipe de trabalho durante o encontro promovido pela Embrapa e Banco Mundial (Divulgação/Embrapa)

    DESAFIOS E PADRÕES

    Patrícia Santos, presidente do Portfólio de Pastagens da Embrapa, destacou a importância do alinhamento de conceitos quando se estuda ou pesquisa o tema pastagens degradadas. “Existem vários conceitos na literatura que seguem caminhos diferentes, o que dificulta a comunicação. Por conta disso, a Embrapa promoveu um projeto que aplicou técnicas e propôs conceitos para organizar a informação sobre pastagens no Brasil, com foco especial em degradação de pastagens”, explicou a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste. O projeto segundo ela, propôs dois conceitos, um para degradação de pastagens e outro para pastagens degradadas.

     

    “Quando falo em degradação de pastagens, estou falando de um processo gradativo de perda do potencial produtivo da pastagem, bem como de sua capacidade de recuperação natural ao longo do tempo. Quando falo em pastagem degradada, estou falando  da condição final do processo, quando a pastagem perde sua capacidade de regeneração natural em função do baixo vigor das plantas forrageiras ou da infestação elevada por plantas invasoras”, especificou a pesquisadora.

     

    E acrescentou: “quando falamos em números maiores, estamos nos referindo à degradação de pastagem e em números menores, à pastagem degradada. Um pasto em processo de degradação pode se caracterizar por degradação leve, intermediária ou severa”. De acordo com a presidente do Portfólio, o Brasil tem feito um esforço grande para resolver o problema, inclusive com a regeneração natural dessas áreas ou com sua conversão para agricultura. Porém, segundo Santos, só políticas públicas, como o Programa ABC, não são suficientes.

     

    O analista em geotecnologia da Embrapa Territorial, Rafael Mingoti, destacou que existem pastagens em degradação e degradadas em diversos estados, em todos os biomas brasileiros e o desafio é garantir a acurácia do mapeamento. O primeiro passo em um mapeamento é estabelecer o padrão para aquela região específica, considerando as características do bioma. De acordo com o bioma, as respostas spectris são diferentes.

     

    Mingoti considera um grande desafio identificar as pastagens degradadas usando imagens de satélites, porém possível. Mas para garantir o nível de acurácia é preciso estabelecer padrões e variáveis e considerar a complexidade do bioma, a partir de muita ciência. “A partir do mapeamento, que é um produto muito importante, partimos para o ordenamento territorial, ou seja, o que fazer com aquela área. Selecionamos fatores, tais como logística, produção, socioeconômico, sociais, ambientais, entre outras informações, e depois selecionamos o método, para fazer o zoneamento territorial correto”, afirmou, lembrando que são o método e os fatores selecionados que definirão as  estratégias para o uso da terra nas áreas de pastagens degradadas ou em degradação.

     

    Com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)