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    Pesquisa desenvolve agricultura sustentável para a Amazônia

    Projeto Sustenta Inova implementa práticas sustentáveis com foco na conservação da biodiversidade, redução do desmatamento, mitigação, adaptação às mudanças climáticas entre outras ações
    Embrapa
    Agricultura sustentável
    Agricultura sustentável
    A segunda fase do “Projeto Bem Diverso - Sustenta e Inova”, financiado pela União Europeia, coordenado pelo Sebrae e executado pela Embrapa, em parceria com Cirad, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Funarbe, foi lançada. Ao longo de quatro anos, a equipe do projeto buscará desenvolver cadeias de valor e inovação sustentável em três localidades do bioma amazônico: Marajó, Transamazônica e Xingu.

    “Temos uma dívida histórica com o Marajó, e pretendemos trabalhar intensamente para a inclusão social decorrente do desenvolvimento sustentável. Para transformar as realidades amazônicas, precisamos de uma atuação cada vez mais orquestrada de instituições governamentais e não-governamentais, por isso estamos aqui. Contem com a Embrapa”, discursou na abertura o chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Walkymário Lemos.

    O projeto Sustenta Inova objetiva desenvolver e implementar práticas agrícolas sustentáveis, desenvolver cadeias de valor na Amazônia, com foco na conservação da biodiversidade, redução do desmatamento, restauração da paisagem, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, em alinhamento com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

    A ideia é expandir as contribuições para o desenvolvimento sustentável obtidas com o projeto Bem Diverso, executado no período de 2016 a 2021, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). 

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    “Com base no legado no Projeto Bem Diverso, funda-se o Sustenta e Inova. Seu sucesso está baseado no engajamento das comunidades e dos atores locais em suas atividades. Iniciamos as ações da segunda fase no Marajó, a partir de uma Rede de Desenvolvimento Local Sustentável já formada por mais de 80 pessoas, de seis diferentes municípios de três Estados e do Distrito Federal, 19 entidades, 11 pontos focais de comunidades, 16 facilitadores, sei gestores locais, 12 jovens comunicadores e 40 representantes institucionais, colaboradores e membros de comitês”, relata Anderson Sevilha, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e líder do projeto.

    TRANSFORMAR VULNERABILIDADES EM OPORTUNIDADES
    Os 19 municípios das cidades da região do Arquipélago do Marajó reúnem uma população em situação de extrema vulnerabilidade social e econômica, reconhecidos como detentores dos menores índices de desenvolvimento humano (IDH) do Brasil. Para chegar à região, isolada do resto do Estado do Pará, são necessárias pelo menos 16 horas de barco, partindo de Belém. Na zona rural, onde vive a maior parte da população, as casas estão sobre palafitas às margens dos rios, sem saneamento ou serviço de energia elétrica. 

    “Durante anos, a principal atividade econômica baseou-se na extração e comercialização de madeira com a derrubada da floresta Amazônica. A cidade de Portel nasceu com a fundação da companhia Amacol, uma serraria dirigida pelos americanos. O impacto desta atividade intensiva ao longo de décadas ocasionou forte desequilíbrio ambiental, levando as populações a buscarem alternativas de cunho sustentável após o fechamento da empresa. Daí a importância do trabalho da Embrapa na região”, afirma Raimundo Nonato Teixeira, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

    Pelo projeto Bem Diverso, desde 2016, a Embrapa vem atuando na região a fim de desenvolver as capacidades das comunidades e juventudes locais com vistas à conservação, manejo e restauração de espécies e ecossistemas, processamento de frutos nativos, acesso ao mercado, às políticas públicas e ao crédito. Um dos principais resultados do projeto pode ser observado na Comunidade Santo Ezequiel Moreno, da cidade de Portel: a cooperativa Manejaí. 

    Construída sob palafitas, o Centro de Manejo do Açaí, criado pela própria comunidade, abastece a única escola da localidade pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O Sistema Agroflorestal, com espécies nativas e produtivas, implantado na comunidade e fomentado pela cooperativa, abastece a maior parte dos alimentos servidos na alimentação escolar, composta principalmente por açaí, tambaqui, camarão, mandioca e frutas nativas como taperebá, cupuaçu e bacuri.  

    Outro resultado do projeto que vem impactando a vida dos agroextrativistas locais é a adoção do manejo de mínimo impacto de açaizais nativos, uma prática orientada pela equipe técnica da Embrapa Amazônia Oriental, que não apenas promove a conservação da Floresta Amazônica, como também a faz mais produtiva. Segundo o pescador e extrativista, Alcindo Morais, da cidade de Muaná no Marajó, desde que abandonou a prática de cultivo intensivo, chamada de açaização, - que diminui a diversidade das espécies da fauna e da flora, causando graves problemas ambientais - e começou a seguir o manejo sustentável tem obtido melhores resultados.