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    Saiba mais sobre a valorização do biodiesel brasileiro a partir de 2024

    Governo anuncia aumento da mistura para 14% a partir de março e suspende importação. Para 2025, esse teor sobe para 15%
    Rafael De Marco
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    Sustentabilidade

    Os benefícios são incontestáveis: menores índices de poluição (emite 98% menos CO2 que o petróleo), fonte de energia renovável, fundamental para o desenvolvimento sustentável brasileiro, incluindo maior geração de emprego aliado ao menor custo de produção mais baixo. Por tudo isso, o Brasil começa a entender a necessidade de valorizar e investir cada vez mais no biodiesel.

     

     

    Uma prova está na decisão do governo, que anunciou a antecipação do aumento do teor de biodiesel na mistura ao óleo diesel de 12% para 14% a partir de março de 2024 e para 15% a partir de março de 2025. A variação do teor provoca o aumento da produção desse biocombustível no país e ele é direcionado a substituir a parcela do diesel importado.

     

    Segundo a Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), a medida representa uma importante economia de divisas, já que esta importação de diesel custa bilhões de dólares anualmente.

     

    Em nota, a FPBio destacou também que o aumento da produção de biodiesel resulta em geração de negócios e de valor agregado para as cadeias da soja e de proteína animal; eleva os investimentos junto aos agricultores familiares fornecedores de matérias-primas para o biodiesel; impacta na redução das emissões de poluentes por diversos setores econômicos, como o de transportes.

     

    “A decisão do CNPE é de grande importância para o setor de biodiesel. Permite ao setor ter previsibilidade de produção e a possibilidade de organização dos investimentos e dos negócios”, disse Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel do Congresso Nacional (FPBio).

     

    Antes da reunião, os 14% estavam previstos apenas para 2025 e os 15% para 2026. O CNPE também suspendeu a importação de biodiesel. As usinas produtoras desse biocombustível ainda enfrentam ociosidade em sua capacidade instalada na casa dos 50%. O CNPE criou um grupo de trabalho para avaliar a questão da importação de biodiesel.

     

    Saiba mais sobre a valorização do biodiesel brasileiro a partir de 2024 1

    “O Brasil continua defendendo o conteúdo local, o biodiesel nacional”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao anunciar a antecipação do teor. “Não permitir a importação é uma decisão absolutamente acertada para o interesse do país”, avaliou Alceu Moreira.

     

    “Hoje, nós ampliamos a participação do biodiesel, ainda mais, na nossa matriz. E isso tem dois efeitos: primeiro, diminui a nossa dependência de importação de óleo diesel. Segundo, ajuda a descarbonizar, já que a ANP (agência reguladora de combustíveis e biocombustíveis) vem avançando muito na certificação da qualidade dos biocombustíveis. E terceiro, e muito importante, é a gente estimular nossa agricultura nacional”, disse o ministro Alexandre Silveira.

     

    COMBUSTÍVEL DO FUTURO

    A próxima ação política relacionada ao biodiesel é a tramitação do projeto de lei nº 4516/2023 Combustível do Futuro na Câmara dos Deputados. Ele cria condições para estimular a produção e prevê o aumento da participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

     

    QUALIDADE DO COMBUSTÍVEL

    O combustível vendido nos postos resultante da mistura de diesel e biodiesel é chamado tecnicamente de diesel B. Vários estudos técnicos atestam a qualidade do biodiesel e da mistura em diversos percentuais.

     

    Mesmo com estudos inclusive do governo atestando a alta qualidade do biodiesel nacional, a FPBio defende que o país crie um sistema para rastrear a qualidade do diesel B. A proposta é aferir a qualidade da produção, da logística, da distribuição, do armazenamento e de outras fases até o produto chegar à venda ao consumidor.

     

    A FPBio diz que o biodiesel está plenamente certificado quanto à sua qualidade, mas é preciso rastrear também o componente diesel da mistura. Se problemas forem eventualmente identificados, será possível, com este sistema, identificar a fonte dos problemas e corrigi-los, em benefício dos consumidores.

     

    Com informações do Ministério de Minas e Energia e Agência Safras