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    Uma solução para o problema do lixo eletrônico

    Estudo da ONU liga o sinal de alerta sobre o aumento na produção do chamado e-lixo e a tecnologia de grafeno verde induzido por laser (gLIG) surge como alternativa sustentável para a produção de circuitos integrados e componentes eletrônicos
    Rafael De Marco
    Crédito: Arquivo
    Crédito: Arquivo

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    Sustentabilidade

    Em 2019, o e-lixo chegou ao recorde de 53,6 milhões de toneladas métricas mundialmente, um aumento de 21% em cinco anos, de acordo com a terceira edição do Global E-waste Monitor 2020 das Organizações das Nações Unidas (ONU).
    O Brasil lidera a geração de e-lixo, com 2.141 toneladas entre as nações de língua portuguesa, segundo o novo relatório sobre lixo eletrônico no mundo, a terceira edição do Global E-Waste Monitor 2020 da Organização das Nações Unidas (ONU).
    O relatório mostra um descarte recorde de 53,6 milhões de toneladas em 2019 e revela que apenas 17,4% dessa quantidade foi reciclada.
    Com o descarte de 10,1 milhões de toneladas, a China é o maior produtor de lixo eletrônico do planeta. Logo atrás estão os Estados Unidos, com 6,9 milhões de toneladas, e a Índia com 3,2 milhões. Os três países foram responsáveis por quase 38% do lixo eletrônico produzido no mundo no ano passado.
    O Brasil é mencionado no estudo, ao lado do Chile, pelo processo em curso para criar bases para iniciar a implementação de uma estrutura regulamentar formal para o lixo eletrônico. De acordo com material divulgado pela ONU, “espera-se que as autoridades brasileiras assinem o Acordo Setorial para a Implementação do Sistema de Logística Reversa para Resíduos de Equipamentos Eletrônicos das Famílias, que está em etapa de consulta pública.

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    LUSÓFONOS
    Entre os países de língua portuguesa, o segundo principal produtor de lixo eletrônico é Portugal com 170 toneladas em 2019. O terceiro é Angola com 125, seguida de Moçambique com 17, Cabo Verde com 2,8, Guiné-Bissau com 1 e São Tomé e Príncipe com 0,3 quilo toneladas.
    SOLUÇÃO POSSÍVEL
    A tecnologia de grafeno verde induzido por laser (gLIG) aparece como uma solução viável. O gLIG pode provocar uma revolução na forma em que os circuitos integrados e componentes eletrônicos são produzidos. Com isso, essa tecnologia será capaz de reduzir o lixo eletrônico, que causa danos tanto ao meio ambiente como para a saúde por conter aditivos tóxicos ou substâncias perigosas como o mercúrio. O próprio processo de obtenção do gLIG é mais limpo, pois não utiliza reagentes tóxicos e nem métodos tradicionais.
    CORTIÇA
    A cortiça, que são cascas de árvores, é um substrato que tem despertado muito interesse e é considerada uma fonte promissora de gLIG, pela possibilidade de ser um material híbrido que permite flexibilidade e leveza.
    Esse tipo de substrato pode ser convertido diretamente em gLIG, principalmente devido ao alto teor de lignina presente em sua composição, que é mais favorável para produzir gLIG de melhor qualidade, com a possibilidade de selecionar o precursor bruto mais adequado para cada aplicação alvo e adequar as funções químicas e condutivas dos padrões gLIG resultantes.
    O Conecta já trouxe informações sobre o estudo sobre o gLIG. Para saber mais, clique AQUI

    Segundo pesquisa da Embrapa, esses suportes podem ser um dos materiais mais versáteis da natureza em termos ambientais e econômicos, com características como a biodegradabilidade, impermeabilidade, leveza e resistência a diferentes condições térmicas, dando novas funcionalidades, além do seu emprego já consolidado na confecção de rolhas de vinho.
    MADEIRA
    Já a madeira tem potencial para produzir gLIG devido à sua superfície uniforme e lisa, o que permite uma fácil padronização de várias arquiteturas de eletrodos desejados. No entanto, a sua aplicabilidade é limitada devido à rigidez e decomposição da estrutura lignocelulósica após a passagem do laser. Mesmo assim, é uma grande promessa para dispositivos eletrônicos que não requerem grandes solicitações mecânicas.
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    CARVÃO MINERAL
    Outra fonte natural de matérias-primas apontada pela pesquisa é o carvão mineral, uma rocha sedimentar orgânica rica em carbono, produzida a partir da compactação e endurecimento de restos vegetais alterados.
    FOLHAS
    As folhas de plantas, por sua vez, poderiam ser aplicadas a dispositivos vestíveis, mas a processabilidade é limitada por seu tamanho e resistência mecânica, bem como pela degradação ao longo do tempo.
    SUBPRODUTOS PROCESSADOS
    Também foram feitos esforços recentes para produzir LIG a partir de outros substratos à base de carbono, de uma variedade de materiais, desde polímeros termoplásticos a materiais têxteis e alimentos, como casca de batata, pão e casca de coco. A versatilidade e o potencial desses materiais já foram demonstrados em diversas aplicações
     
    Com informações da Embrapa e da ONU

    Para saber mais sobre o Global E-waste Monitor 2020 da ONU, clique AQUI